Mostrando postagens com marcador Drama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Drama. Mostrar todas as postagens
5 de agosto de 2011
The Good Life
[Jason]: "They call the hole left by the passage of a bullet through the body a permanent cavity. A permanent cavity is what cops strive for when shooting someone dangerous. They say the best bullet for the job when trying to incapacitate someone dangerous is the one that's bigger, the one with the most velocity, the one that creates the largest permanent cavity, the one that kills faster. What I think would be worse is being hit by a smaller caliber bullet over... and over... and over. A lifetime full of pain. Who needs 10 to 15 seconds more? -- But it's not pain. It's laughing with your friend at a time when you shouldn't. It's the sweat in your palms wanting to know someone you see and the pit in your stomach when they actually see you. It's being touched by hands that aren't your own. It's the thrill of an escape that almost wasn't. It's the embarrassment you feel, naked for the first time. It's helping a friend find something they lost. It's a smile, a joke, a song. It's what someone does that they like doing. It's what someone does that they like remembering. It's the thinking of things you may never do and the doing of things you may never have thought. It's the road ahead and the road behind. It's the first step and the last and every one in between, because they all make up the good life".
Leia Mais ››
Texto extraído do filme "The Good Life (Canadá/EUA, 2007)".
Escrito e dirigido por Stephen Berra.
Estrelado por Mark Webber, Zooey Deschanel e Harry Dean Stanton.
Participações de Bill Paxton, Chris Klein, Patrick Fugit, Drea de Matteo.
Sinopse: Jason (Mark Webber) se revesa entre dois empregos para ajudar sua mãe, trabalhando em um cinema que exibe filmes antigos e em um posto de combustível. Até que um dia conhece a misteriosa Frances (Zooey Deschanel) que faz com a que sua vida mude.
Não é o suprassumo do cinema mundial. É apenas o retrato despretensioso das angústias de um jovem adulto de uma cidade de interior. É simples, sensível. E com personagens misteriosos e bem interpretados.
13 de dezembro de 2010
5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos: Abutres
Carancho (Argentina, 2010)
Direção: Pablo Trapero
Gênero: Drama
por Marcel Gois
Começou na última sexta-feira (10.12), aqui em Aracaju, a 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Pela primeira vez ela chega à capital sergipana, com filme e curtas que abrangem temas sociais relevantes, divididos em programas diversificados e horários acessíveis. A abertura da mostra, que aconteceu no Cinemark Jardins, aconteceu com filme “Abutres”, a mais recente produção de Pablo Trapero (diretor do ótimo Leonera), que traz no elenco um dos atores argentinos mais populares, o Ricardo Darín, no papel de um advogado sem escrúpulos, que se aproveita de vítimas de acidentes para usufruir de indenizações.
Na Argentina, milhares pessoas morrem em acidentes de trânsito a cada ano. E atrás de cada uma das tragédias que acontecem existe uma máfia em busca de prêmios dos seguros através das brechas encontradas na lei passando a perna inclusive na família das vítimas que recebe uma porcentagem mínima do dinheiro adquirido. Sosa (Ricardo Darín) é um advogado que já teve sua licença casada e agora trabalha num escritório de quinta categoria e vive em hospitais públicos e delegacias em busca de potenciais clientes. Luján (Martina Gusman) é uma jovem médica recém chegada do interior e que por azar começa a trabalhar na unidade hospitalar onde Sosa ‘bate ponto’. A história entre os dois começa quando ela tenta salvar a vida de um homem que Sosa considera ser um cliente em potencial.
Trapero dessa vez explora ainda mais sua habilidade em retratar a realidade nua e crua (como foi visto antes em Leonera) dando ao filme um tom de documentário. Ele faz isso com a câmera na mão mostrando toda a confusão e tensão que é presenciar um acidente de perto e imprimindo na tela uma sensação de desconforto que é presente durante quase toda a projeção. O impacto que o filme causa é dirigido com muita segurança e destreza, capaz de deixar os espectadores de olhos grudados na tela, apesar das imagens impregnadas de sangue.
A dupla de atores principais desaponta em grande estilo, durante toda a projeção, mas principalmente na sequência final na qual o diretor demonstra toda sua habilidade e audácia em um plano sequência breathtaking. Juro que acabei o filme com uma dor no peito de tão tenso. Sem falar na sensação de desconforto com tanto acidente na tela.
O filme foi recebido como uma crítica pelas autoridades judiciárias do país, depois de ficar demonstrada na tela toda a habilidade desses ‘profissionais’ em forjar acidentes, criar vítimas e assim consegui extorquir o seguro através de falcatruas e conchavos com as próprias ‘vítimas’. E não por acaso o longa foi o escolhido para representar a Argentina na disputa pelo Oscar 2011 de melhor filme estrangeiro.

5 de maio de 2009
Nada Mais Que a Verdade
Título Original: Nothing But the TruthPaís de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Rod Lurie
Rachel Armstrong (Kate Beckinsale), uma jovem repórter que ocupa uma cadeira importante no Washington, D.C. daily, escreve uma matéria explosiva revelando a identidade de uma agente disfarçada da CIA Erica Van Doren (Vera Farmiga) que uma vez publicada, dá margem a uma enorme investigação governamental em busca de quem vazou a informação. No decorrer do inquérito, a repórter acaba sendo presa por se recusar a revelar a fonte que forneceu a informação. E com o apóio de seus editores e do seu marido Ray (David Schwimmer), Rebecca luta contra o promotor Patton Dubois (Matt Dillon) para manter o seu direito de manter em sigilo o nome de sua fonte.
Este tipo de filme, que se lança em questões legais, fica por vezes dependente do ritmo empregado a história e nessa questão em especial, esse filme ganha não só com o desenvolvimento da historia jurídica em si, mas também com o paralelo com toda a experiência da Rachel atrás das grades mostrando as dificuldades de sua convivência e de adaptação e as consequência de toda essa luta na vida pessoal da repórter chegando a levantar uma questão crucial, até que ponto vale a pena todo aquele drama para manter o nome de uma fonte em segurança? Sem contar que enquanto tudo isso acontece na vida dela, fora da prisão o processo corre e deixa um rastro de violência e controle abusivos por parte do governo dos EUA. E é esse paralelo que consegue imprimir credibilidade a essa primeira parte do filme que não se deixa levar por um positivismo exagerado.
O argumento é bem construído, consegue potencializar as virtudes dos filmes de tribunal, porém a conclusão não atinge a dimensão exigida e acaba danificando o final. Graças a um sentimentalismo exagerado e com pouca profundidade o filme se perde numa conclusão forçada e desfaz toda a base sólida do roteiro que foi brilhantemente sustentado em personagens bem desenvolvidos. Trocando em miúdos, a impressão que ficou foi a que o filme teve o primeiro e o segundo a ato escrito por um dos roteiristas de Damages e o ato final por um dos roteirista da segunda temporada de Heroes. Period!
Mas uma coisa é certa, o filme com certeza será um divisor de águas na carreira da Kate Beckinsale, que apesar de não ter conseguido o reconhecimento nas premiações, provou que está pronta para papéis mais maduros e que exigem um grau de dramaticidade mais intenso, entregando uma forte interpretação e dando visibilidade ao longa, afinal convenhamos que a curiosidade de vê-la em um papel mais sério foi um dos motivos que me fez ver o filme. Além dela todo o elenco entrega atuações inspiradas, Vera Farmiga, Matt Dillon, Alan Alda e até o David Schwimmer. Realmente uma pena não ter tido um final digno da dimensão de todo aquele drama.
Cotação: 7,5

O CASO ORIGINAL
O filme é uma versão de um escândalo ocorrido nos EUA em 2003, conhecido como o caso Plame-Wilson (ou escândalo da fuga da CIA ou Plamegate). Esse escândalo consistiu na identificação de
Valerie Plame Wilson como agente disfarçada da CIA. A relação da Sra. Plame com a CIA era informação secreta e a revelação foi feita numa coluna de jornal com o título "Mission to Niger" escrita por Robert Novak, e publicada em 14 de Julho de 2003. (clique no link para ler o artigo original em inglês).
Joseph C. Wilson, marido de Valerie Plame, viajou ao Níger em Fevereiro de 2002 para comprovar a possível ligação entre a indústria local de urânio e Saddam Hussein - para quem não lembra, em dezembro de 2002, os EUA acusou o Iraque de ter tentado comprar urânio do Níger para a fabricação de armas nucleares. Depois da viagem ele escreveu em uma coluna no New York Times, afirmando convincentemente, que o Níger não vendeu urânio ao Iraque.
Depois da publicação do artigo que revelava a identificação de Valerie, Joseph afirmou em várias entrevistas e escritos que membros da administração Bush revelaram a condição dela por vingança ao artigo dele, publicado apenas oito dias antes do artigo de Robert Novak (que identificou Plame). Valerie Plame era especializada em armas de destruição massiva, fato que teria motivado os partidários do presidente achar que ela quem teve a ideia de enviar o marido na viagem ao Níger.
Como o filme é também ficção, eles optaram por seguir uma linha diferente da realidade e prenderam a própria escritora do artigo por não revelar a identidade da fonte que passou para ela as informações sobre Valerie Plame. Porém na realidade ocorreu de forma diferente, o Robert Novak não foi preso e a responsabilidade do artigo caiu sobre a jornalista
Judith Miller, que foi quem conseguiu a informação de que a Plame era agente da CIA e passou para Novak.
Em 29 de Setembro de 2005, após 12 semanas na cadeia Miller foi liberada e concordou em revelar para o júri a identidade da fonte. Segundo ela, Lewis Libby, "Chief of Staff" do vice-presidente Dick Cheney, foi quem passou as informações sobre a agente Valerie Plame.
Lembrando que nada disso é spoiler, já que o filme apenas se inspira no caso, não seguindo a risca o que aconteceu na realidade.
Curiosidade:
Alguns meses depois das publicações dos dois artigos (o do Robert e o do marido da Valerie) os EUA desculparam-se com o Níger pela alegação feita, afirmando o ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos, Herman Cohen, que "a página agora está virada. A administração norte-americana aceitou que a informação sobre a venda de urânio do Níger ao Iraque foi baseada em documentos falsos". Coisas dos EUA!
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Rod Lurie
Rachel Armstrong (Kate Beckinsale), uma jovem repórter que ocupa uma cadeira importante no Washington, D.C. daily, escreve uma matéria explosiva revelando a identidade de uma agente disfarçada da CIA Erica Van Doren (Vera Farmiga) que uma vez publicada, dá margem a uma enorme investigação governamental em busca de quem vazou a informação. No decorrer do inquérito, a repórter acaba sendo presa por se recusar a revelar a fonte que forneceu a informação. E com o apóio de seus editores e do seu marido Ray (David Schwimmer), Rebecca luta contra o promotor Patton Dubois (Matt Dillon) para manter o seu direito de manter em sigilo o nome de sua fonte.
Este tipo de filme, que se lança em questões legais, fica por vezes dependente do ritmo empregado a história e nessa questão em especial, esse filme ganha não só com o desenvolvimento da historia jurídica em si, mas também com o paralelo com toda a experiência da Rachel atrás das grades mostrando as dificuldades de sua convivência e de adaptação e as consequência de toda essa luta na vida pessoal da repórter chegando a levantar uma questão crucial, até que ponto vale a pena todo aquele drama para manter o nome de uma fonte em segurança? Sem contar que enquanto tudo isso acontece na vida dela, fora da prisão o processo corre e deixa um rastro de violência e controle abusivos por parte do governo dos EUA. E é esse paralelo que consegue imprimir credibilidade a essa primeira parte do filme que não se deixa levar por um positivismo exagerado.
O argumento é bem construído, consegue potencializar as virtudes dos filmes de tribunal, porém a conclusão não atinge a dimensão exigida e acaba danificando o final. Graças a um sentimentalismo exagerado e com pouca profundidade o filme se perde numa conclusão forçada e desfaz toda a base sólida do roteiro que foi brilhantemente sustentado em personagens bem desenvolvidos. Trocando em miúdos, a impressão que ficou foi a que o filme teve o primeiro e o segundo a ato escrito por um dos roteiristas de Damages e o ato final por um dos roteirista da segunda temporada de Heroes. Period!
Mas uma coisa é certa, o filme com certeza será um divisor de águas na carreira da Kate Beckinsale, que apesar de não ter conseguido o reconhecimento nas premiações, provou que está pronta para papéis mais maduros e que exigem um grau de dramaticidade mais intenso, entregando uma forte interpretação e dando visibilidade ao longa, afinal convenhamos que a curiosidade de vê-la em um papel mais sério foi um dos motivos que me fez ver o filme. Além dela todo o elenco entrega atuações inspiradas, Vera Farmiga, Matt Dillon, Alan Alda e até o David Schwimmer. Realmente uma pena não ter tido um final digno da dimensão de todo aquele drama.
Cotação: 7,5

O CASO ORIGINAL
O filme é uma versão de um escândalo ocorrido nos EUA em 2003, conhecido como o caso Plame-Wilson (ou escândalo da fuga da CIA ou Plamegate). Esse escândalo consistiu na identificação de
Valerie Plame Wilson como agente disfarçada da CIA. A relação da Sra. Plame com a CIA era informação secreta e a revelação foi feita numa coluna de jornal com o título "Mission to Niger" escrita por Robert Novak, e publicada em 14 de Julho de 2003. (clique no link para ler o artigo original em inglês). Joseph C. Wilson, marido de Valerie Plame, viajou ao Níger em Fevereiro de 2002 para comprovar a possível ligação entre a indústria local de urânio e Saddam Hussein - para quem não lembra, em dezembro de 2002, os EUA acusou o Iraque de ter tentado comprar urânio do Níger para a fabricação de armas nucleares. Depois da viagem ele escreveu em uma coluna no New York Times, afirmando convincentemente, que o Níger não vendeu urânio ao Iraque.
Depois da publicação do artigo que revelava a identificação de Valerie, Joseph afirmou em várias entrevistas e escritos que membros da administração Bush revelaram a condição dela por vingança ao artigo dele, publicado apenas oito dias antes do artigo de Robert Novak (que identificou Plame). Valerie Plame era especializada em armas de destruição massiva, fato que teria motivado os partidários do presidente achar que ela quem teve a ideia de enviar o marido na viagem ao Níger.
Como o filme é também ficção, eles optaram por seguir uma linha diferente da realidade e prenderam a própria escritora do artigo por não revelar a identidade da fonte que passou para ela as informações sobre Valerie Plame. Porém na realidade ocorreu de forma diferente, o Robert Novak não foi preso e a responsabilidade do artigo caiu sobre a jornalista
Judith Miller, que foi quem conseguiu a informação de que a Plame era agente da CIA e passou para Novak.Em 29 de Setembro de 2005, após 12 semanas na cadeia Miller foi liberada e concordou em revelar para o júri a identidade da fonte. Segundo ela, Lewis Libby, "Chief of Staff" do vice-presidente Dick Cheney, foi quem passou as informações sobre a agente Valerie Plame.
Lembrando que nada disso é spoiler, já que o filme apenas se inspira no caso, não seguindo a risca o que aconteceu na realidade.
Curiosidade:
Alguns meses depois das publicações dos dois artigos (o do Robert e o do marido da Valerie) os EUA desculparam-se com o Níger pela alegação feita, afirmando o ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos, Herman Cohen, que "a página agora está virada. A administração norte-americana aceitou que a informação sobre a venda de urânio do Níger ao Iraque foi baseada em documentos falsos". Coisas dos EUA!
26 de fevereiro de 2009
Dúvida
Título Original: DoubtPaís de Origem: USA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: John Patrick Shanley
Um dos meu maiores desejos de cinéfilo era assitir Meryl Streep contracenando com Philip Seymour Hoffman. Minha atriz e meus ator preferidos, juntos? Era bom de mais pra ser verdade! Foi quando surgiu os primeiros rumores de que isso poderia acontecer, que eu já comecei a ficar ansioso! E ainda mais quando soube que além deles dois, a Amy Adams, que eu considero a mais talentosa dessa nova geração, iria dividir os holofotes com eles dois. Aí era felicidade demais pra um cinéfilo só!! Três grandes atores trabalhando juntos, num drama intenso e cheio de espaço para brilharem, eu poderia pedir mais? Acho que não! [talvez sim, se fosse em um filme dirigido pelo PTA e ainda tivesse a Kate Winslet, eu não acharia ruim! rsrs] Mas enfim, dito isso, vamos ao que interessa.
O ano é 1964 e o cenário é a escola St. Nicholas, no Bronx. O carismático e nada tradicional padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), vem tentando acabar com os rígidos costumes da escola, que há muito é seguido ferozmente pela irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), a diretora com mãos de aço que acredita no poder do medo e da disciplina. Os ventos das mudanças sopram pela comunidade e a escola acaba de aceitar seu primeiro aluno negro, Donald Miller. Mas quando a inocente irmã James (Amy Adams), conta à irmã Aloysius sobre sua suspeita, de que o padre Flynn está dando atenção exagerada a Donald, a irmã Aloysius se vê motivada a empreender uma investigação para descobrir a verdade e banir o padre da escola. Agora, sem nenhuma prova ou evidência, exceto sua certeza moral, a irmã Aloysius trava uma batalha de determinação com o padre Flynn tentando a qualquer custo expulsá-lo da escola.
Acho que o tema mais abordado no filme é a fé, principalmente o que diz respeito à perda dela, já que é fato que a dúvida e a fé seguem caminhos completamente opostos. De um lado a irmã Aloysius, se mostra convicta em suas crenças. Do outro as dúvidas e os questionamentos corroem a irmã James, que apesar de ter sido a mola propulsora de toda a história, acredita cada vez menos no que viu. O padre Flynn é o centro de toda a história, e sua personalidade oposta a da irmã Aloysius, torna-se um dos grandes motivos para a desconfiança exagerada (ou não) da freira. É tradição versus mudanças de comportamento. É inocência versus malícia. Eé além de tudo isso um ótimo roteiro, do John Patrick Shanley, que à medida que vai se desenvolvendo, mostra que Aloysius e Flynn estão mais próximos do que imaginam. Seja pelas convicções, pelas dúvidas ou pela culpa de erros do passado/presente.
O roteiro, que apesar de contar com um número exorbitante de cenas com puro diálogo, ao final prova que nenhum daqueles poderia ter sido dispensado. Cenas em que muito se foi falado, mas pouco foi realmente dito. Ou até cenas em que muito se foi dito sem necessariamente ter sido verbalizado. E é aí que as dúvidas começam a surgir para o espectador, a incerteza nos fatos deixa o público às vezes propenso a acreditar na bondade do padre e outras vezes desconfiado das atitudes dele. No meio de tanta certeza há sempre espaço para o imprevisto, tornando a dúvida inevitável em algumas situações.
À margem desse roteiro teatral, apoiado em diálogos fortes, todos os atores tiveram espaço de sobra para brilhar e o John Patrick Shanley, soube trabalhar isso ao favor do filme fazendo o trabalho daqueles maravilhosos profissionais o ponto forte no longa. Meryl Streep, com força e intensidade constrói uma personagem que ao mesmo tempo em que passa toda sua convicção, contribui para aumentar a dúvida que corrói também o espectador. Philip Seymour Hoffman, que cria de forma precisa um personagem de caráter duvidoso, trabalho difícil, mas que ele tirou de letra. Amy Adams, com toda a inocência pedida pela personagem, mostra mais uma vez porque é uma das atrizes mais promissoras da nova geração. Viola Davis, que aparece uma única vez no filme em uma sequência de tirar o chapéu também trabalhar extremamente bem.
Embora esses dois fatores (roteiro e interpretações) sejam os pontos mais altos do filme, ainda assim, sobra destaque para o lado técnico da produção, desde a cuidadosa fotografia de Roger Deakins até a conveniente trilha sonora de Howard Shore, passando ainda pelos cuidados da figurinista Ann Roth e da direção de arte de Peter Rogness. Por mais que eu concorde que a direção do John Patrick Shanley não chega a emplogar, eu ainda assim acho que não é isso que vai tirar do filme todos os outros méritos alcaçados, seja na parte técnica, seja nos trabalhos dos atores e até no roteiro bem adaptado!
Cotação: 9,0
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: John Patrick Shanley
Um dos meu maiores desejos de cinéfilo era assitir Meryl Streep contracenando com Philip Seymour Hoffman. Minha atriz e meus ator preferidos, juntos? Era bom de mais pra ser verdade! Foi quando surgiu os primeiros rumores de que isso poderia acontecer, que eu já comecei a ficar ansioso! E ainda mais quando soube que além deles dois, a Amy Adams, que eu considero a mais talentosa dessa nova geração, iria dividir os holofotes com eles dois. Aí era felicidade demais pra um cinéfilo só!! Três grandes atores trabalhando juntos, num drama intenso e cheio de espaço para brilharem, eu poderia pedir mais? Acho que não! [talvez sim, se fosse em um filme dirigido pelo PTA e ainda tivesse a Kate Winslet, eu não acharia ruim! rsrs] Mas enfim, dito isso, vamos ao que interessa.O ano é 1964 e o cenário é a escola St. Nicholas, no Bronx. O carismático e nada tradicional padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), vem tentando acabar com os rígidos costumes da escola, que há muito é seguido ferozmente pela irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), a diretora com mãos de aço que acredita no poder do medo e da disciplina. Os ventos das mudanças sopram pela comunidade e a escola acaba de aceitar seu primeiro aluno negro, Donald Miller. Mas quando a inocente irmã James (Amy Adams), conta à irmã Aloysius sobre sua suspeita, de que o padre Flynn está dando atenção exagerada a Donald, a irmã Aloysius se vê motivada a empreender uma investigação para descobrir a verdade e banir o padre da escola. Agora, sem nenhuma prova ou evidência, exceto sua certeza moral, a irmã Aloysius trava uma batalha de determinação com o padre Flynn tentando a qualquer custo expulsá-lo da escola.
Acho que o tema mais abordado no filme é a fé, principalmente o que diz respeito à perda dela, já que é fato que a dúvida e a fé seguem caminhos completamente opostos. De um lado a irmã Aloysius, se mostra convicta em suas crenças. Do outro as dúvidas e os questionamentos corroem a irmã James, que apesar de ter sido a mola propulsora de toda a história, acredita cada vez menos no que viu. O padre Flynn é o centro de toda a história, e sua personalidade oposta a da irmã Aloysius, torna-se um dos grandes motivos para a desconfiança exagerada (ou não) da freira. É tradição versus mudanças de comportamento. É inocência versus malícia. Eé além de tudo isso um ótimo roteiro, do John Patrick Shanley, que à medida que vai se desenvolvendo, mostra que Aloysius e Flynn estão mais próximos do que imaginam. Seja pelas convicções, pelas dúvidas ou pela culpa de erros do passado/presente.O roteiro, que apesar de contar com um número exorbitante de cenas com puro diálogo, ao final prova que nenhum daqueles poderia ter sido dispensado. Cenas em que muito se foi falado, mas pouco foi realmente dito. Ou até cenas em que muito se foi dito sem necessariamente ter sido verbalizado. E é aí que as dúvidas começam a surgir para o espectador, a incerteza nos fatos deixa o público às vezes propenso a acreditar na bondade do padre e outras vezes desconfiado das atitudes dele. No meio de tanta certeza há sempre espaço para o imprevisto, tornando a dúvida inevitável em algumas situações.
À margem desse roteiro teatral, apoiado em diálogos fortes, todos os atores tiveram espaço de sobra para brilhar e o John Patrick Shanley, soube trabalhar isso ao favor do filme fazendo o trabalho daqueles maravilhosos profissionais o ponto forte no longa. Meryl Streep, com força e intensidade constrói uma personagem que ao mesmo tempo em que passa toda sua convicção, contribui para aumentar a dúvida que corrói também o espectador. Philip Seymour Hoffman, que cria de forma precisa um personagem de caráter duvidoso, trabalho difícil, mas que ele tirou de letra. Amy Adams, com toda a inocência pedida pela personagem, mostra mais uma vez porque é uma das atrizes mais promissoras da nova geração. Viola Davis, que aparece uma única vez no filme em uma sequência de tirar o chapéu também trabalhar extremamente bem.Embora esses dois fatores (roteiro e interpretações) sejam os pontos mais altos do filme, ainda assim, sobra destaque para o lado técnico da produção, desde a cuidadosa fotografia de Roger Deakins até a conveniente trilha sonora de Howard Shore, passando ainda pelos cuidados da figurinista Ann Roth e da direção de arte de Peter Rogness. Por mais que eu concorde que a direção do John Patrick Shanley não chega a emplogar, eu ainda assim acho que não é isso que vai tirar do filme todos os outros méritos alcaçados, seja na parte técnica, seja nos trabalhos dos atores e até no roteiro bem adaptado!
Cotação: 9,028 de janeiro de 2009
Frost /Nixon
Título Original: Frost/Nixon
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Diretor: Ron Howard
Durante o período de campanha eleitoral cinco pessoas foram detidas tentando fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata. Durante a investigação oficial foram apreendidas fitas que demonstram que o presidente tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição. Com as ligações entre os atos de espionagem e Partido Republicano, Nixon renunciou e foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia, retirando-lhe as devidas responsabilidades legais perante qualquer infração que tivesse cometido. Esse escândalo político ficou conhecido como o Caso Watergate (nome do edifício onde ficava o escritório do Partido Democrata). Na época Nixon tinha acabado de ser reeleito pela esmagadora maioria, 520 colégios eleitorais contra 17, traumatizando politicamente a nação americana com a sua atitude.
“Frost/Nixon”, como todos já devem saber, não trata exatamente sobre isso, mas achei necessário falar sobre o Watergate já que ele foi o principal motivo para a renúncia de Nixon (Frank Langella) e consequentemente, para entrevista dele com David Frost (Michael Sheen). E é isso que o filme retrata, a batalha de Frost para conseguir a entrevista com o presidente e os bastidores das gravações que resultaram em quase 30 horas de material. Foi ao ar em 1977, três ano após o escândalo, e durante a entrevista Frost confrontou Nixon sobre diversos assuntos dentre eles o escândalo do Watergate e a conduta do presidente enquanto estava na Casa Branca naquele período.
Frost, antes um apresentador de talk shows (o que colocava em dúvida a credibilidade dele para realizar tal entrevista), estaria preste a encarar aquela que seria ‘A’ entrevista da vida dele. E um dos méritos desse roteiro inteligente que o Peter Morgan desenvolveu foi justamente o foco no personagem do Frost. Morgan, que também escreveu a peça de mesmo nome estrelada pela mesma dupla de atores (Sheen e Langella), deu um ritmo mais atraente quando decidiu que os bastidores da entrevista, do ponto de vista do apresentador e dos seus assessores, poderiam tornar o filme menos enfastiante e até sair de um nível meramente político.
Michael Sheen e Frank Langella, com a facilidade e a segurança de quem já está acostumado com aquele complexo nível de atuação, conduzem os personagens com competência e de forma magistral. Sheen demonstrando a inexperiência do Frost que diante do Nixon ficava até sem saber como conduzir a entrevista e cortar todos os discursos floreados do presidente, e Langella, numa caracterização espetacular, demonstra toda a fragilidade do presidente ser humano e cheio de defeitos, que apesar da disposição de se reconstruir socialmente, acaba por confessar verbalmente sua atitude corrupta e esteticamente sua vergonha, que àquela altura da entrevista já estava visivelmente estampada no rosto dele, misturada a sensação de fracasso.
O resultado foi um filme simples, linear e que foi muito bem executado pelo Ron Howard. O embate entre Frost e Nixon é o acontecimento central do filme, é fato que nada mais acontece, porém apesar disso em nenhum momento o espectador fica entediado. A excelente edição, aliada ao roteiro inteligente do Peter, deu fôlego suficiente para filme chegar ao final e ainda deixar um gostinho de quero mais. Esse será com certeza um do melhores e mais surpreendentes filmes dessa temporada.
Cotação: 9,0

País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Diretor: Ron Howard
Durante o período de campanha eleitoral cinco pessoas foram detidas tentando fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata. Durante a investigação oficial foram apreendidas fitas que demonstram que o presidente tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição. Com as ligações entre os atos de espionagem e Partido Republicano, Nixon renunciou e foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia, retirando-lhe as devidas responsabilidades legais perante qualquer infração que tivesse cometido. Esse escândalo político ficou conhecido como o Caso Watergate (nome do edifício onde ficava o escritório do Partido Democrata). Na época Nixon tinha acabado de ser reeleito pela esmagadora maioria, 520 colégios eleitorais contra 17, traumatizando politicamente a nação americana com a sua atitude.
“Frost/Nixon”, como todos já devem saber, não trata exatamente sobre isso, mas achei necessário falar sobre o Watergate já que ele foi o principal motivo para a renúncia de Nixon (Frank Langella) e consequentemente, para entrevista dele com David Frost (Michael Sheen). E é isso que o filme retrata, a batalha de Frost para conseguir a entrevista com o presidente e os bastidores das gravações que resultaram em quase 30 horas de material. Foi ao ar em 1977, três ano após o escândalo, e durante a entrevista Frost confrontou Nixon sobre diversos assuntos dentre eles o escândalo do Watergate e a conduta do presidente enquanto estava na Casa Branca naquele período.
Frost, antes um apresentador de talk shows (o que colocava em dúvida a credibilidade dele para realizar tal entrevista), estaria preste a encarar aquela que seria ‘A’ entrevista da vida dele. E um dos méritos desse roteiro inteligente que o Peter Morgan desenvolveu foi justamente o foco no personagem do Frost. Morgan, que também escreveu a peça de mesmo nome estrelada pela mesma dupla de atores (Sheen e Langella), deu um ritmo mais atraente quando decidiu que os bastidores da entrevista, do ponto de vista do apresentador e dos seus assessores, poderiam tornar o filme menos enfastiante e até sair de um nível meramente político.
Michael Sheen e Frank Langella, com a facilidade e a segurança de quem já está acostumado com aquele complexo nível de atuação, conduzem os personagens com competência e de forma magistral. Sheen demonstrando a inexperiência do Frost que diante do Nixon ficava até sem saber como conduzir a entrevista e cortar todos os discursos floreados do presidente, e Langella, numa caracterização espetacular, demonstra toda a fragilidade do presidente ser humano e cheio de defeitos, que apesar da disposição de se reconstruir socialmente, acaba por confessar verbalmente sua atitude corrupta e esteticamente sua vergonha, que àquela altura da entrevista já estava visivelmente estampada no rosto dele, misturada a sensação de fracasso.
O resultado foi um filme simples, linear e que foi muito bem executado pelo Ron Howard. O embate entre Frost e Nixon é o acontecimento central do filme, é fato que nada mais acontece, porém apesar disso em nenhum momento o espectador fica entediado. A excelente edição, aliada ao roteiro inteligente do Peter, deu fôlego suficiente para filme chegar ao final e ainda deixar um gostinho de quero mais. Esse será com certeza um do melhores e mais surpreendentes filmes dessa temporada.
Cotação: 9,0

6 de janeiro de 2009
Gran Torino

Com Gran Torino, Clint Eastwood na última tentativa de ganhar um Oscar na categoria de atuação,
coisa que ele não tem ainda, fecha com louvor a sua filmografia como ator.
coisa que ele não tem ainda, fecha com louvor a sua filmografia como ator.
Título Original: Gran Torino
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Clint Eastwood
Clint Eastwood, que por grande parte da sua vida atuou matando vilões nos seus filmes Westerns, decide terminar a sua carreira como diretor e acima de tudo como um diretor que trabalha mais facilmente com fortes dramas e constrói sobre este terreno ótimos filmes. Este ano ele surge novamente em dose dupla, como em 2006, com “A Troca” e “Gran Torino”.
Esse último conta a história de Walt Kowalski (Clint Eastwood), um racista veterano da guerra da Coréia, que após a morte da esposa passa a viver sozinho em um bairro de Detroit dominado por imigrantes Hmong. Quando uma gang local pressiona o vizinho adolescente dele, Thao (Bee Vang), a roubar o Gran Torino que ele tanto cuida, acaba por forçá-lo a ter certa proximidade com os vizinhos, na verdade uma amizade que nem ele achava que poderia acontecer. Thao, como pedido de desculpas, passa a trabalhar com Walt e a aprender muito com a experiência de vida daquele velho ranzinza, mas com um coração imenso. Walt passa a simpatizar com a cultura dos Hmong e eventualmente, devido ao seu envolvimento com Thao, se mete em alguns conflitos com a gang que desde a tentativa frustada de roubar o Gran Torino, não deixa a família do seu vizinho viver em paz. Gran Torino nunca foi símbolo de um grande carro americano, o que torna o amor do protagonista pelo carro ainda mais comovente. Foi feito no anos 60 e 70, o por uma indústria que hoje mal faz um carro, em uma cidade que dificilmente trabalha com isso.
Eastwood, que também dirige o longa de forma satisfatória, aparece primeiro como um antagonista cômico, com toda a sua relutante amargura e todos os seus preconceitos que são demonstrados desde grunhidos para a forma como a sua neta se veste no funeral da esposa dele até palavras amargas para o jovem padre que para ele não passa de um “virgem de 27 anos que acabou de concluir os estudos e que gosta de segurar as mãos das velhas que são supersticiosas, prometendo a eternidade”. Enquanto a história avança e a gang volta a atormentar os vizinhos de Walt, o filme muda de comédia, para drama e ele passa de “antagonista dos vizinhos” a “protetor” de uma maneira tão sutil que nem nos damos conta que começamos de fato a admirar a atitude daquele velho ranzinza, ao invés de apenas rir dela.
E por falar em atuação, Bee Vang e Ahney Her (os vizinhos adolescentes do Walt), apesar de nunca terem trabalhado com cinema não fazem feio, dá para notar um pouco da insegurança deles mas no geral trabalharam bem no longa que apesar de um tema não muito original (racista que vai tendo o coração amolecido no decorrer da narrativa) "Gran Torino" mostra-se um filme intenso, sincero e emocionante. Eastwood, sozinho e sem medo carrega nas costas, e melhor, aguenta o peso com o mesmo vigor de um artista que estaria apenas começando e cheio de vontade de impressionar e provar que é bom, exceto pelo fato de que ele é um veterano reconhecido e que não precisa provar mais nada para ninguém. E vale lembrar ainda que mais uma vez o Clint nos presenteia com uma música emocionante, "Gran Torino" cantada por ele e pelo Jamie Cullum, tudo bem que a parte que ele 'canta' são mais grunhidos do que qualquer coisa, mas ainda assim a música consegue emocionar.
Cotação: 8,0
Esse último conta a história de Walt Kowalski (Clint Eastwood), um racista veterano da guerra da Coréia, que após a morte da esposa passa a viver sozinho em um bairro de Detroit dominado por imigrantes Hmong. Quando uma gang local pressiona o vizinho adolescente dele, Thao (Bee Vang), a roubar o Gran Torino que ele tanto cuida, acaba por forçá-lo a ter certa proximidade com os vizinhos, na verdade uma amizade que nem ele achava que poderia acontecer. Thao, como pedido de desculpas, passa a trabalhar com Walt e a aprender muito com a experiência de vida daquele velho ranzinza, mas com um coração imenso. Walt passa a simpatizar com a cultura dos Hmong e eventualmente, devido ao seu envolvimento com Thao, se mete em alguns conflitos com a gang que desde a tentativa frustada de roubar o Gran Torino, não deixa a família do seu vizinho viver em paz. Gran Torino nunca foi símbolo de um grande carro americano, o que torna o amor do protagonista pelo carro ainda mais comovente. Foi feito no anos 60 e 70, o por uma indústria que hoje mal faz um carro, em uma cidade que dificilmente trabalha com isso.
Eastwood, que também dirige o longa de forma satisfatória, aparece primeiro como um antagonista cômico, com toda a sua relutante amargura e todos os seus preconceitos que são demonstrados desde grunhidos para a forma como a sua neta se veste no funeral da esposa dele até palavras amargas para o jovem padre que para ele não passa de um “virgem de 27 anos que acabou de concluir os estudos e que gosta de segurar as mãos das velhas que são supersticiosas, prometendo a eternidade”. Enquanto a história avança e a gang volta a atormentar os vizinhos de Walt, o filme muda de comédia, para drama e ele passa de “antagonista dos vizinhos” a “protetor” de uma maneira tão sutil que nem nos damos conta que começamos de fato a admirar a atitude daquele velho ranzinza, ao invés de apenas rir dela.
E por falar em atuação, Bee Vang e Ahney Her (os vizinhos adolescentes do Walt), apesar de nunca terem trabalhado com cinema não fazem feio, dá para notar um pouco da insegurança deles mas no geral trabalharam bem no longa que apesar de um tema não muito original (racista que vai tendo o coração amolecido no decorrer da narrativa) "Gran Torino" mostra-se um filme intenso, sincero e emocionante. Eastwood, sozinho e sem medo carrega nas costas, e melhor, aguenta o peso com o mesmo vigor de um artista que estaria apenas começando e cheio de vontade de impressionar e provar que é bom, exceto pelo fato de que ele é um veterano reconhecido e que não precisa provar mais nada para ninguém. E vale lembrar ainda que mais uma vez o Clint nos presenteia com uma música emocionante, "Gran Torino" cantada por ele e pelo Jamie Cullum, tudo bem que a parte que ele 'canta' são mais grunhidos do que qualquer coisa, mas ainda assim a música consegue emocionar.
Cotação: 8,0

1 de janeiro de 2009
Marley & Eu

Vou fazer uma pequena metalinguagem com o conteúdo do filme aqui pra falar dele, variando um pouco o formato do texto, pegando emprestado a idéia de coluna de John Grogan, ok?
Antes de mais nada, Feliz Ano novo, pessoas!!! Agora, vamos ao que interessa, sim? Adaptações de livros para o cinema geralmente geram controvérsias e muitas vezes são mal-sucedidas no quesito fidelidade e acabam por desgostar muitos fãs da obra literária. Mas eu sempre fico curioso com relação a filmes assim e sempre corro pra ver. Ainda mais quando se trata de um best seller como Marley & Me. Não li o livro, confesso, mas minha irmãzinha querida de 12 anos devorou o livro em poucos dias e releu, releu, releu, assim como várias outras pessoas que conheço. Dessa maneira, imaginei que o filme fosse atrair alguns curiosos. Mas não esperava chegar no cinema com uma hora e meia de antecedência e encontrar a sessão que eu buscava lotada. Muito menos ter que chegar com 40 minutos para entrar na fila da sessão de 23h40(!!) e perceber, mais tarde, que esta também ficaria lotada. Surpresa pra mim, que tinha ido ver um simples “filme de cachorro, de sessão da tarde”
Só que Marley e Eu não é só um filme de cachorro bobo. Acho que tirei essa idéia (errada) de que só poderia ser isso tendo Owen Wilson como protagonista. Imaginei eu que me divertiria basicamente com algumas piadas prontas e com a beleza estonteante de Jennifer Aniston – mais linda do que jamais esteve, no alto de seus 39 anos. Errado de novo. Sim, é uma históra de cachorro, uma comédia com algumas piadas prontas, mas é bem mais que isso. É um filme sobre o dia-a-dia de todos nós.
Marley é o tal pior cachorro do mundo, de acordo com seu dono John (Owen), que chega para atrasar os planos de Jen (Aniston), esposa de John, de ter filhos. Chega e, ao invés disso, dá início à família dos dois – que no fim teriam mais 3 crianças. Marley é puro carisma em forma de cachorro. Não tem jeito, você vai se lembrar do seu próprio cachorro e, se não o tiver, vai querer comprar um. E esse é o grande mérito do roteiro do filme. Tudo é feito de uma forma que faz com que cada um da platéia se veja ali dentro. Começo, inclusive, a acreditar que a escolha de Owen como protagonista venha com esse intuito – não é um Tom Cruise da vida, alguém inatingível. Aliás, Wilson surpreende, pelo menos a mim, passando bastante verdade nas cenas de drama do filme. A comédia do filme funciona muito bem também, não surpreendentemente – já que o timing de Jennifer e do próprio Owen já são conhecidos. A cena do adestramento é impagável.
Ao fim do filme, minha irmã ao meu lado soluçava, de cara inchada e vermelha, assim como muitas pessoas saindo do cinema. Não é à toa: o filme toca quem o assiste, na mesma intensidade que diverte. E colocar criancinha chorando no fim é covardia, vai. A fã ardorosa do livro saiu satisfeita, missão cumprida. Saí eu também satisfeito, surpreso, e entendendo o porque do livro ter sido um sucesso, assim como porque o autor do livro e protagonista Grogan ter sido melhor sucedido nas colunas do que nas reportagens em si: John sabe retratar o dia-a-dia como ninguém.
Só que Marley e Eu não é só um filme de cachorro bobo. Acho que tirei essa idéia (errada) de que só poderia ser isso tendo Owen Wilson como protagonista. Imaginei eu que me divertiria basicamente com algumas piadas prontas e com a beleza estonteante de Jennifer Aniston – mais linda do que jamais esteve, no alto de seus 39 anos. Errado de novo. Sim, é uma históra de cachorro, uma comédia com algumas piadas prontas, mas é bem mais que isso. É um filme sobre o dia-a-dia de todos nós.
Marley é o tal pior cachorro do mundo, de acordo com seu dono John (Owen), que chega para atrasar os planos de Jen (Aniston), esposa de John, de ter filhos. Chega e, ao invés disso, dá início à família dos dois – que no fim teriam mais 3 crianças. Marley é puro carisma em forma de cachorro. Não tem jeito, você vai se lembrar do seu próprio cachorro e, se não o tiver, vai querer comprar um. E esse é o grande mérito do roteiro do filme. Tudo é feito de uma forma que faz com que cada um da platéia se veja ali dentro. Começo, inclusive, a acreditar que a escolha de Owen como protagonista venha com esse intuito – não é um Tom Cruise da vida, alguém inatingível. Aliás, Wilson surpreende, pelo menos a mim, passando bastante verdade nas cenas de drama do filme. A comédia do filme funciona muito bem também, não surpreendentemente – já que o timing de Jennifer e do próprio Owen já são conhecidos. A cena do adestramento é impagável.
Ao fim do filme, minha irmã ao meu lado soluçava, de cara inchada e vermelha, assim como muitas pessoas saindo do cinema. Não é à toa: o filme toca quem o assiste, na mesma intensidade que diverte. E colocar criancinha chorando no fim é covardia, vai. A fã ardorosa do livro saiu satisfeita, missão cumprida. Saí eu também satisfeito, surpreso, e entendendo o porque do livro ter sido um sucesso, assim como porque o autor do livro e protagonista Grogan ter sido melhor sucedido nas colunas do que nas reportagens em si: John sabe retratar o dia-a-dia como ninguém.
Título Original: Marley & Me
País de Origem: EUA
Gênero: Comédia/Drama
Ano de Laçamento: 2008
Direção: David Frankel
21 de dezembro de 2008
Crepúsculo

Título Original: Twilight
País de Origem: EUA
Gênero: Drama / Romance
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Catherine Hardwicke
Antes de mais nada, esta é uma opinião de alguém que mal começou a ler o livro.
***************************************
Crepúsculo é o mais novo fenômeno entre os adolescentes pelo mundo. A história se baseia na história da jovem Isabella Swan (Kristen Stewart – Quarto do Pânico), uma menina fechada que se muda para a casa do pai, o delegado Charlie (Billy Burke) em uma cidade sempre nublada no interior dos EUA par que sua mãe pudesse ser feliz ao lado do novo marido, um jogador de baseball que possui uma carreira instável e precisa se mudar várias vezes já que não se mantém em um único time. Ao se mudar, entretanto, quem acaba infeliz é a própria Bella, que não se adapta ao clima e as pessoas da cidade tão facilmente, preferindo a solidão. Mas tudo muda quando ela conhece Edward Cullen (Robert Pattison, o Cedrico dos filmes de Harry Potter), um misterioso rapaz pelo qual se apaixona e que descobre, mais tarde, ser um vampiro.
Mais uma vez: ainda não terminei de ler o livro. Entretanto, nos dez minutos iniciais da película eu mesmo já podia dizer que aquela seria uma adaptação livre, já que muitas cenas ali já se mostravam diferentes. Uma amiga que estava comigo é fã confessa da série e confirmou ao final: o livro e o filme são bem diferentes. Mas vamos ao filme.
As atuações são fracas: Kristen está até bem como a protagonista angustiada, mas Robert acaba com o papel de vampiro. No começo, parece ter um ataque epilético quando conhece a menina, e depois, parece um tronco de árvore na tela, de tão rígido. O clássico charme dos vampiros, seres irresistíveis aos humanos em geral, desaparece. As roupas de Cullen e sua família beiram o rídiculo, inspiradas em séculos passados, como se isso fosse passar despercebido pelos humanos (no livro, as roupas dizem apenas ser elegantes e de marca). E isso piora, contrastando com a supermoderna casa que vivem, com uma decoração totalmente clean. Os efeitos especiais são muito fracos, tendo o seu ápice no efeito da luz do sol sobre os vampiros: o chamado “brilho” parece ser um quilo de purpurina jogado em cima do ator. Os movimentos de câmera, cheio de rotações em 360, são completamente desnecessários.
O que sobra de positivo no filme é mesmo a premissa: as dificuldades de um romance entre humanos e vampiros, a angústia de cada um – o medo de ser mordido e ter de se controlar para não morder, respectivamente. Entretanto, isso é muito melhor abordado (sem comparações) na série americana da HBO “True Blood”.
Mais uma vez: ainda não terminei de ler o livro. Entretanto, nos dez minutos iniciais da película eu mesmo já podia dizer que aquela seria uma adaptação livre, já que muitas cenas ali já se mostravam diferentes. Uma amiga que estava comigo é fã confessa da série e confirmou ao final: o livro e o filme são bem diferentes. Mas vamos ao filme.
As atuações são fracas: Kristen está até bem como a protagonista angustiada, mas Robert acaba com o papel de vampiro. No começo, parece ter um ataque epilético quando conhece a menina, e depois, parece um tronco de árvore na tela, de tão rígido. O clássico charme dos vampiros, seres irresistíveis aos humanos em geral, desaparece. As roupas de Cullen e sua família beiram o rídiculo, inspiradas em séculos passados, como se isso fosse passar despercebido pelos humanos (no livro, as roupas dizem apenas ser elegantes e de marca). E isso piora, contrastando com a supermoderna casa que vivem, com uma decoração totalmente clean. Os efeitos especiais são muito fracos, tendo o seu ápice no efeito da luz do sol sobre os vampiros: o chamado “brilho” parece ser um quilo de purpurina jogado em cima do ator. Os movimentos de câmera, cheio de rotações em 360, são completamente desnecessários.
O que sobra de positivo no filme é mesmo a premissa: as dificuldades de um romance entre humanos e vampiros, a angústia de cada um – o medo de ser mordido e ter de se controlar para não morder, respectivamente. Entretanto, isso é muito melhor abordado (sem comparações) na série americana da HBO “True Blood”.
11 de dezembro de 2008
Vicky Cristina Barcelona
Título Original: Vicky Cristina BarcelonaPaís de Origem: EUA
Gênero: Comédia / Drama / Romance
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Woody Allen
Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas grandes amigas que vivem fases diferentes da vida: a primeira está prestes a se casar com um bem-sucedido executivo e a segunda é uma aspirante a atriz (a segunda vivida por Scarlett em um filme de Allen) vive deixando-se levar pelos acontecimentos, por pura emoção. Quando Vicky decide ir a Espanha completar seus estudos de pós-graduação, Cristina, obviamente, segue junto com ela. Lá, conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor que é o estereótipo clássico do amante latino, sedutor e extremamente confiante em si mesmo, que havia ficado famoso em seu país após um desastroso e violento divórcio com Maria Elena (Penélope Cruz). Juan Antonio cisma com as duas americanas e praticamente as convoca a passar um fim de semana em Oviedo, apreciando os pontos turísticos e, em suas próprias palavras, “fazendo amor” com ele. Após muita relutância da responsável Vicky, as duas partem com o homem para a viagem e, depois disso, tudo muda.
Woody Allen tem um humor característico e neste filme não é diferente. Apesar de me irritar um pouco com as narrações contínuas, o humor neurótico do diretor e roteirista está em sua boa forma. Rebecca Hall - indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz de filme de comédia ou musical pelo papel - está muito bem como a complexa e indecisa Vicky, sendo, inclusive, mal aproveitada em detrimento da atual queridinha de Allen, Scarlett, que está bem e deslumbrante como sempre, mas oferecendo mais do mesmo em um papel quase que repetido. Javier, o latino da vez de Hollywood, está bem também, mas a estrela do filme é mesmo Penelope Cruz, como a enlouquecida Maria Elena, também indicada ao Globo de Ouro - de atriz coadjuvante - pelo papel . Apesar de entrar depois da metade da película, Penelope rouba a cena com um timing perfeito de comédia e uma interação e química inexplicável com Javier e até mesmo com Scarlett. No fim das contas, fica a sensação de que se o filme fosse somente entre Javier, Penelope e Rebecca, o resultado teria sido genial, mas mesmo assim, é uma boa diversão.
3 de novembro de 2008
Última Parada 174

Título Original: Última Parada 174
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Bruno Barreto
O assalto ao ônibus 174, que terminou na morte de uma jovem e do assaltante, Sandro, é um dos episódios mais tristes e simbólicos quando se fala da violência no Rio de Janeiro atualmente. Para nós, cariocas que vivemos o momento e a angústia transmitida ao vivo pelas câmeras televisivas, ainda é difícil de digerir. Eu estudo atualmente bem próximo de onde o ônibus ficou parado e, obviamente, não dá pra não pensar que poderia sido eu uma das vítimas, se a tragédia demorasse mais alguns anos para acontecer.
Mas não estamos aqui para reclamar da violência (que é muito real) no Rio ou no Brasil hoje. Vamos ao filme.
Última parada 174, de Bruno Barreto (Voando Alto), retrata a história anterior ao assalto. O filme se propõe a mostrar a trajetória do assaltante Sandro, que se mostra bastante conturbada, envolvendo drogas, o assassinato de sua mãe, violência e prisão - como a de muitos jovens na nossa sociedade de hoje, infelizmente. A sua história cruza com a de outro jovem, Alessandro, tão conturbada quanto a dele, e esse cruzamento acaba por influenciar ainda mais todos os acontecimentos seguintes.
A trama do filme é, a meu ver, o que há de mais interessante. A vida de Sandro passa não somente pelo fatídico assalto, mas também por rebeliões de presídios e por um acontecimento tão terrível e marcante quanto o próprio assalto ao 174, o Massacre da Candelária. Entretanto o roteiro acaba se mostrando confuso, chegando ao ponto de conseguir confundir sobre quem é Sandro e quem é Alessandro. Destaca-se a atuação de Cris Vianna como a mãe de Alessandro que pensa que seu filho é Sandro, apesar de ficar um pouco caricata em sua fase beata. Os garotos que fazem Sandro e Alessandro na fase jovem/adulta se mostram consistentes, mas Walquíria, a dona da ONG, vivida por Anna Cotrim, acaba soando um pouco “tatibitati” em algumas de suas cenas.
O grande pecado do filme, entretanto, é justamente o fato de o assalto em si acabar realmente perdendo seu impacto – quando deveria ser o clímax. Por ser uma obra baseada em acontecimentos reais e retratar um dos mais marcantes episódios da violência atual, Última Parada 174 é um filme que deveria mesmo ter sido feito e deve ser assistido. Entretanto, mais como um alerta de como nossa sociedade está implodindo a si mesma do que como obra cinematográfica.
Mas não estamos aqui para reclamar da violência (que é muito real) no Rio ou no Brasil hoje. Vamos ao filme.
Última parada 174, de Bruno Barreto (Voando Alto), retrata a história anterior ao assalto. O filme se propõe a mostrar a trajetória do assaltante Sandro, que se mostra bastante conturbada, envolvendo drogas, o assassinato de sua mãe, violência e prisão - como a de muitos jovens na nossa sociedade de hoje, infelizmente. A sua história cruza com a de outro jovem, Alessandro, tão conturbada quanto a dele, e esse cruzamento acaba por influenciar ainda mais todos os acontecimentos seguintes.
A trama do filme é, a meu ver, o que há de mais interessante. A vida de Sandro passa não somente pelo fatídico assalto, mas também por rebeliões de presídios e por um acontecimento tão terrível e marcante quanto o próprio assalto ao 174, o Massacre da Candelária. Entretanto o roteiro acaba se mostrando confuso, chegando ao ponto de conseguir confundir sobre quem é Sandro e quem é Alessandro. Destaca-se a atuação de Cris Vianna como a mãe de Alessandro que pensa que seu filho é Sandro, apesar de ficar um pouco caricata em sua fase beata. Os garotos que fazem Sandro e Alessandro na fase jovem/adulta se mostram consistentes, mas Walquíria, a dona da ONG, vivida por Anna Cotrim, acaba soando um pouco “tatibitati” em algumas de suas cenas.
O grande pecado do filme, entretanto, é justamente o fato de o assalto em si acabar realmente perdendo seu impacto – quando deveria ser o clímax. Por ser uma obra baseada em acontecimentos reais e retratar um dos mais marcantes episódios da violência atual, Última Parada 174 é um filme que deveria mesmo ter sido feito e deve ser assistido. Entretanto, mais como um alerta de como nossa sociedade está implodindo a si mesma do que como obra cinematográfica.
23 de agosto de 2008
Não Por Acaso
Não Por AcasoPaís de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2007
Diretor: Philippe Barcinski
Ênio (Leonardo Medeiros) é um engenheiro de trânsito que comanda o fluxo dos automóveis da cidade de São Paulo e uma pessoa extremamente controlada. Sua função é observar o caótico trânsito da cidade e pode se necessário, abrir e fechar semáforos ou inverter a mão das ruas. Ele vê o trânsito como um fluido correndo por artérias invisíveis, quando há poucos carros há pouca pressão e tudo flui bem, quando há muitos carros a pressão aumenta e tudo deixa de fluir. Um sujeito reservado e que tem uma filha adolescente, Bia (Rita Batata) que mora com a mãe e o padrasto. Pedro (Rodrigo Santoro) é dono de uma marcenaria especializada na construção de mesas de sinuca (talento herdado do pai) e uma pessoa muito meticulosa. Ele mora com Teresa (Branca Messina), uma jovem estudante e fotógrafa que está abandonando uma vida de classe média alta para morar com Pedro no fundo da oficina. Um acidente faz com que a vida de ambos tome rumos surpreendentes.
“Não Por Acaso” marca a brilhante estréia de Philippe Barcinski (diretor do curta da postagem abaixo) como diretor de longa-metragens. Com um roteiro muito bem escrito e bastante sensível, o filme vai sendo construído a partir de uma técnica muito segura, de quem sabe o que faz. Tudo no filme é louvável, desde o cuidado com que cada cena é construída até os diálogos, que estão longe de soar falso ou exagerado. A trilha sonora também cuidadosa, é de muito bom gosto, confesso que no começo me assustei quando em menos de 15 minutos de projeção a mesma sintonia ecoou no mínimo três vezes, mas isso foi irrelevante perto do resultado final. A montagem também é outro mérito, junto com Márcio Canella, Barcinski conduz as duas histórias quase que totalmente paralelas, sem pressa, sem excessos e com direito a tomadas aéreas e alguma ajudinha de efeitos sutis e de muito bom gosto, rendendo aqui, inclusive, a cena que define o longa.
Além de tudo já citado, me sinto na obrigação de destacar as atuações desse ótimo elenco, desde os que fizeram participações como é o caso Cássia Kiss, que eu particularmente acho uma das grandes atrizes brasileira, até os protagonistas Rodrigo Santoro e Leonardo Medeiros. O Santoro encena perfeitamente a vida de Pedro, em mais um trabalho seguro e numa ótima química com Branca Messina. O Leonardo Medeiros está impressionante numa atuação super contida, de muitos olhares e poucas palavras. No elenco também tem a Rita Batata e a Letícia Sabatella em mais uma ótima atuação. Só a construção da relação dela com o Santoro que não convenceu muito. Mas enfim, excelente filme, sensível e intimista na medida certa. É o cinema brasileiro me orgulhando mais uma vez. Que ótimo.
Cotação: 9,0
7 de agosto de 2008
XXY
País de Origem: Argentina | França | Espanha
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Lucía Puenzo
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Lucía Puenzo
Em XXY, Lucía Puenzo trata de um fenômeno sexual chamado de Síndrome de Klinefelter (ou de XXY). Essa síndrome atinge homens que teem um cromossomo X a mais, desenvolvem testículos menores e produzem menos testosterona, o que lhes dão um aspecto feminino. Alex (Inés Efron) nasceu com essa característica. Tentando fugir dos médicos que desejam corrigir a ambigüidade genital da criança, seus pais Suli (Valeria Bertuccelli) e Kraken (Ricardo Darín) a levam para um vilarejo no Uruguai convencidos de que uma cirurgia seria uma violência ao corpo de Alex. A rotina deles muda quando eles recebem um casal de amigos, Ramiro (Germán Palacios) e Erika (Carolina Pelleritti), e seu filho, Alvaro (Martín Piroyansky), vindos de Buenos Aires. Alex logo se aproxima de Álvaro que se apaixona por ela e a deixa ainda mais confusa, em um momento em que ela está descobrindo a própria sexualidade.
Depois de revelado o problema da garota, XXY passa a mostrá-la em todas as situações possíveis: conforto, desconforto, perigo, excitação, calmaria, diversão, enfim, até mostra a relação que ela tem com os poucos amigos. Alex vira quase o objeto de estudo de uma pesquisa, onde nós seriamos os encarregados de analisar o comportamento dela diante daquelas situações. Situações que pelo menos são representados de forma digna graças à ótima interpretação do elenco (destaque para a atuação de Ricardo Darín), crucial para o bom desenvolvimento do filme.
XXY tentou uma forma diferente de abordar a sexualidade, porém ao invés de explorar o drama da protagonista que envolve uma escolha difícil e que pode ou não deixar marcas que vão além de simples cicatrizes, prefere tratar a situação de uma forma sutil e acaba priorizando problemas que qualquer outro adolescente teria. O filme, como se não tivesse muito a nos acrescentar, acaba se recusando a discutir de uma forma mais aberta o tema que propôs, assim como os pais da Alex.
É claro que todos esses problemas discutidos são únicos devido à condição da garota. Mas o filme se recusar a destrinchar um tema interessante e tão pouco discutido? É realmente um desperdício. Felizmente o tema continua interessante ao final do filme, mas infelizmente continua pouco discutido e uma coisa é certa, XXY passa longe de qualquer sensacionalismo e esse é um dos grandes méritos do filme, que pisando em ovos sai de lugar nenhum para lugar algum desperdiçando um tema riquíssimo, infelizmente.
Cotação: 5,0
1 de julho de 2008
Caché
Título no Brasil: CachéPaís de Origem: França
Gênero: Drama/Suspense
Ano de Lançamento: 2005
Direção: Michael Haneke
Georges Laurent (Daniel Auteuil) apresentador de um programa sobre literatura e Anne Laurent (Juliette Binoche) que trabalha numa editora, um casal bem-sucedido, começam a receber filmagens da própria casa mostrando o cotidiano deles. A primeira mostra apenas a imagem fixa da casa deles. Mas logo elas chegam embrulhadas em desenhos sinistros que ressaltam o vermelho do sangue. Com o passar do tempo o conteúdo das fitas vão mudando, mostrando a casa onde ele cresceu, trazendo à tona a infância, quando os pais dele adotaram Majid (Maurice Bénichou), que era filho dos empregados falecidos. O casal recorre à polícia, que não faz nada, pois não existe uma ameaça concreta. Georges, com medo do que pode acontecer, muda a rotina, investiga por conta própria e além de tudo isso luta para manter os segredos do passado, que pode não resistir ao tempo.
Cotação: 8,5
23 de junho de 2008
Nina
NinaPaís de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2004
Direção: Heitor Dhalia
Nina marcou a estréia do diretor Heitor Dhalia, o longa é uma adaptação livre de "Crime e Castigo", de Dostoiévski. No livro, um estudante pobre desenvolve uma teoria que divide os homens entre "ordinários" e "extraordinários". Ao se enquadrar na segunda opção, o jovem tem a idéia de assassinar uma velha agiota. No longa de Heitor Dhalia, que se passa em São Paulo, num ambiente totalmente underground, Nina (Guta Stresser) uma jovem pobre, que procura um meio de sobrevivência na sociedade desumana de hoje, mora num quarto alugado no apartamento de Eulália (Myriam Muniz), uma velha mesquinha que explora a jovem, e a humilha a todo instante. Torturada psicologicamente pela velha e sempre sobre o efeito das drogas, Nina entra num mundo de ilusões e onde não se sabe ao certo o que é verdade e o que é somente ilusão.
Nina reproduz a cruel realidade das cidades grandes, principalmente para quem não está acostumado com aquele ritmo frenético. O mundo de Nina vira-se contra ela, que vai desaparecendo aos poucos, até ser esquecida pelos amigos que negam ajudam quando ela mais precisa, a que está disposta a ‘ajudar’ é rejeitada por ela, também pudera, a ajuda parecia mais um presente de grego, como se a coitada precisasse de mais problemas. Além disso, ela mesma chega a se perde no seu próprio mundo, um mundo de delírio, capaz de ser criado somente pela mente humana. Desconfortável, isso.
Guta Stresser entrega um ótimo desempenho, porém por mais que Guta faça um bom trabalho, sempre que contracena com Myriam acaba sendo ofuscada. Myriam Muniz, em seu último trabalho, pelo qual ganhou Prêmio de Melhor Atriz, póstumo, do Festival de Porto Alegre, prova que está bem acima da média nacional, num papel completamente caricato, porém desenvolvido com uma técnica louvável, e roubando todas as cenas. Além delas, o filme conta com a presença de Wagner Moura, Selton Mello, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele, Renata Sorrah e Guilherme Weber, com pequenas participações.
Com uma ótima direção, uma fotografia sombria retratando com perfeição o mundo escuro no qual ela vive e uma excelente direção de arte, além de uma interessante trilha sonora do sempre competente Antônio Pinto, que compôs a trilha de "Cidade de Deus" O longa ainda conta com os animes desenhados por Lourenço Mutarelli, um dos mais respeitados artistas de histórias em quadrinhos do Brasil, retratando os delírios violentos de Nina.
Destaque nos Festivais de Rotterdam e Los Angeles, "Nina" recebeu o Prêmio da Crítica no Festival de Moscou, o Prêmio de Melhor Direção no Festival de Nova York e o de Melhor Fotografia no Festival de Lima. Não bastasse o trabalho de Heitor Dhalia ainda foi comparado com o de David Lynch em muitos dos festivais internacionais por onde passou. Devido às inserções pertinentes dos sonhos de Nina, semelhante ao encontrado nos filmes de Lynch.
Cotação: 9.0
Com uma ótima direção, uma fotografia sombria retratando com perfeição o mundo escuro no qual ela vive e uma excelente direção de arte, além de uma interessante trilha sonora do sempre competente Antônio Pinto, que compôs a trilha de "Cidade de Deus" O longa ainda conta com os animes desenhados por Lourenço Mutarelli, um dos mais respeitados artistas de histórias em quadrinhos do Brasil, retratando os delírios violentos de Nina.
Destaque nos Festivais de Rotterdam e Los Angeles, "Nina" recebeu o Prêmio da Crítica no Festival de Moscou, o Prêmio de Melhor Direção no Festival de Nova York e o de Melhor Fotografia no Festival de Lima. Não bastasse o trabalho de Heitor Dhalia ainda foi comparado com o de David Lynch em muitos dos festivais internacionais por onde passou. Devido às inserções pertinentes dos sonhos de Nina, semelhante ao encontrado nos filmes de Lynch.
Cotação: 9.0
10 de junho de 2008
Irina Palm
Título Original: Irina PalmPaís de Origem: França / Bélgica / Luxemburgo / Inglaterra / Alemanha
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Sam Garbarski
Maggie (Marianne Faithfull - musa dos anos 1960 e ex-namorada do Mick Jagger) é uma viúva cinquentona, que tem um neto internado em um hospital, esperando por um tratamento que os pais não conseguem pagar. Desesperada com a situação do neto internado e do filho sem dinheiro para o tratamento, ela vagueia pelas ruas do Soho londrino atrás de emprego, até encontrar um aviso na porta do clube privê Sexy World, que diz que procura uma "recepcionista". Decidida, Maggie se apresenta para a vaga e consegue o emprego. Mikky (Miki Manojlovic), o dono do clube, encontra nas mãos macias de Maggie, uma verdadeira fonte de dinheiro, ela passa a responder por Irina Palm, no trabalho, que começa a render-lhe algumas centenas de libras por semana. Rapidamente ela se torna a estrela mais lucrativa e procurada do clube, mas sua vida dupla gera desconfiança de seu filho e as fofocas dos vizinhos.
Completamente fora do comum, eu sei, mas o filme proporciona uma reflexão sobre o que alguém pode fazer por amor - no caso, o que a Maggie faz pelo neto - completamente crível. A personagem é humanizada pelo roteiro, e apesar dos sacrifícios, Maggie se dá por satisfeita ao se sentir segura da sua função. Ela encontra nesse submundo a força que faltava para enfrentar tudo que lhe oprimia, a prova disso é a confiança da personagem que cresce no decorrer do filme. Um dos pontos fracos do longa é a trilha sonora, a primeira vez que tocou eu achei legalzinha, a segunda achei irritante, na terceira já não aguentava mais. Não havia a necessidade daquela mesma música o tempo todo.
Mas enfim, outras coisas me fizeram relevar a musiquinha chata. As atuações, por exemplo, Marianne Faithfull, estava inspiradíssima dando o tom certo a sua personagem, transmitindo segurança nos seus atos e ao mesmo tempo a leveza de uma avó amorosa. O Miki Manojlovic também numa atuação a altura, cria um cafetão que deixa uma primeira impressão de ser uma pessoa insensível e gananciosa, mas aos poucos transparece uma delicadeza que conforta. É aí que entra o escape do roteiro, o romance que pode surgir entre os dois. Roteiro este, que além do toque de romance, possui toques de um humor irônico. Ajudado por uma direção consistente, sem precisar ser chocante.
Irina Palm, apesar do tema polêmico é tocante e singelo. Expõe como eu já falei, um tema a ser refletido: até onde alguém está disposto a ir em favor do outro? Tudo bem que o outro, no caso, é o neto dela, ou seja, um motivo mais forte ainda, mas mesmo assim houve uma superação de obstáculos, um "eu posso deixar meus valores de lado para tentar ajudar uma pessoa que eu amo".
Cotação: 9,0
Completamente fora do comum, eu sei, mas o filme proporciona uma reflexão sobre o que alguém pode fazer por amor - no caso, o que a Maggie faz pelo neto - completamente crível. A personagem é humanizada pelo roteiro, e apesar dos sacrifícios, Maggie se dá por satisfeita ao se sentir segura da sua função. Ela encontra nesse submundo a força que faltava para enfrentar tudo que lhe oprimia, a prova disso é a confiança da personagem que cresce no decorrer do filme. Um dos pontos fracos do longa é a trilha sonora, a primeira vez que tocou eu achei legalzinha, a segunda achei irritante, na terceira já não aguentava mais. Não havia a necessidade daquela mesma música o tempo todo.
Mas enfim, outras coisas me fizeram relevar a musiquinha chata. As atuações, por exemplo, Marianne Faithfull, estava inspiradíssima dando o tom certo a sua personagem, transmitindo segurança nos seus atos e ao mesmo tempo a leveza de uma avó amorosa. O Miki Manojlovic também numa atuação a altura, cria um cafetão que deixa uma primeira impressão de ser uma pessoa insensível e gananciosa, mas aos poucos transparece uma delicadeza que conforta. É aí que entra o escape do roteiro, o romance que pode surgir entre os dois. Roteiro este, que além do toque de romance, possui toques de um humor irônico. Ajudado por uma direção consistente, sem precisar ser chocante.
Irina Palm, apesar do tema polêmico é tocante e singelo. Expõe como eu já falei, um tema a ser refletido: até onde alguém está disposto a ir em favor do outro? Tudo bem que o outro, no caso, é o neto dela, ou seja, um motivo mais forte ainda, mas mesmo assim houve uma superação de obstáculos, um "eu posso deixar meus valores de lado para tentar ajudar uma pessoa que eu amo".
Cotação: 9,0
5 de junho de 2008
Bobby
Título Original: BobbyPaís de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Emilio Estevez
Bobby narra a historia de 22 personagens, hóspedes/empregados do Ambassador Hotel, no dia em que Robert F. Kennedy (que teoricamente não é interpretado por nenhum ninguém, sim teoricamente, pois tem um ator, mas não mostram o rosto dele) foi friamente assassinado por um ativista palestino, Sirhan Sirhan, na cozinha do Hotel logo após o seu discurso. Os personagens são fictícios e envolvidos em tramas vazias e com pouca ou nenhuma ligação com o Booby. Como William H. Macy que é o gerente do hotel e é casado Sharon Stone, dona do salão de beleza do Hotel e tem um romance extraconjugal com a telefonista Heather Graham. Stone, como qualquer pessoa que cuida de salões de beleza, serve de ‘ouvido’ para os problemas pessoais de suas clientes entre elas a Lindsay Lohan, que está para se casar com o Elijah Wood, que se continuar solteiro aos 19 será enviado para combater no Vietnã, e ainda tem a Demi Moore, uma celebridade alcoólatra que tem sua carreira administrada por seu esposo, Emilio Estevez (diretor e escritor do filme).
Temos ainda o Martin Sheen (pai de Estevez) que é o par romântico da Helen Hunt, uma pessoa fútil que só consegue pensar em comprar um sapato preto para combinar com o vestido que ela vai usar no dia do discurso do Bobby. Já são 9 personagens e nem chegamos na cozinha do hotel ainda, onde encontramos o Laurence Fishburne (negro) e Freddie Rodriguez (latino – como ele mesmo se define) que são rigorosamente chefiados pelo preconceituoso Christian Slater. Voltando para um dos quartos ainda encontramos o Ashton Kutcher também hospedado no Hotel, ele é o responsável por apresentar a dois jovens as viagens proporcionadas pelo uso de LSD, novidade na época.
E ainda falta mais gente, a Svetlana Metkina que é uma repórter que tenta conseguir uma entrevista com o senador Kennedy. E por fim, o Anthony Hopkins, que confesso não tinha entendido qual era a função dele no filme, mas descobri, lendo uma sinopse, que ele é um porteiro aposentado que está ali para jogar xadrez (??) com seu amigo Harry Belafonte. Como já deu pra notar, o filme peca pelo excesso de tramas desnecessárias, extremamente vagas, com histórias vazias, supérfulas e mal exploradas, que serviu apenas para provar para o Emilio Estevez que o caminho dele com certeza não é a escrita. Diante de tantas histórias para desenvolver num tempo limitado, era de se esperar que o roteiro não desse conta.
Confesso que também não entendi qual o objetivo disso, (qual a relação de todas essas historias com o Kennedy?) e até me senti no meio de uma completa confusão como se eu tivesse prestes a arrumar o meu quarto, completamente bagunçado e sem saber por onde começar. Pelo menos o filme não chega a ser um completo fracasso, pois, apesar de nenhum destaque no meio de tantas celebridades, apenas o fato de ver tanta celebridade trabalhando juntas já é por si só, um atrativo (o que sinceramente acho que tenha sido essa a intenção). Além da bela trilha sonora e do trabalho do montador, que “arrumou a bagunça” da forma menos maçante possível, creio eu. Se bem que aqueles momentos intercalados de discursos são bem dispensáveis, mas isso não é culpa dele, não foi ele quem escreveu o filme.
Cotação: 7,0
Curiosidade: O Estevez sempre sonhou em levar às telonas a vida de Robert F. Kennedy. Bobby é fruto de um trabalho de sete anos do ator, diretor e roteirista Emilio Estevez. (oi?)
Temos ainda o Martin Sheen (pai de Estevez) que é o par romântico da Helen Hunt, uma pessoa fútil que só consegue pensar em comprar um sapato preto para combinar com o vestido que ela vai usar no dia do discurso do Bobby. Já são 9 personagens e nem chegamos na cozinha do hotel ainda, onde encontramos o Laurence Fishburne (negro) e Freddie Rodriguez (latino – como ele mesmo se define) que são rigorosamente chefiados pelo preconceituoso Christian Slater. Voltando para um dos quartos ainda encontramos o Ashton Kutcher também hospedado no Hotel, ele é o responsável por apresentar a dois jovens as viagens proporcionadas pelo uso de LSD, novidade na época.
E ainda falta mais gente, a Svetlana Metkina que é uma repórter que tenta conseguir uma entrevista com o senador Kennedy. E por fim, o Anthony Hopkins, que confesso não tinha entendido qual era a função dele no filme, mas descobri, lendo uma sinopse, que ele é um porteiro aposentado que está ali para jogar xadrez (??) com seu amigo Harry Belafonte. Como já deu pra notar, o filme peca pelo excesso de tramas desnecessárias, extremamente vagas, com histórias vazias, supérfulas e mal exploradas, que serviu apenas para provar para o Emilio Estevez que o caminho dele com certeza não é a escrita. Diante de tantas histórias para desenvolver num tempo limitado, era de se esperar que o roteiro não desse conta.
Confesso que também não entendi qual o objetivo disso, (qual a relação de todas essas historias com o Kennedy?) e até me senti no meio de uma completa confusão como se eu tivesse prestes a arrumar o meu quarto, completamente bagunçado e sem saber por onde começar. Pelo menos o filme não chega a ser um completo fracasso, pois, apesar de nenhum destaque no meio de tantas celebridades, apenas o fato de ver tanta celebridade trabalhando juntas já é por si só, um atrativo (o que sinceramente acho que tenha sido essa a intenção). Além da bela trilha sonora e do trabalho do montador, que “arrumou a bagunça” da forma menos maçante possível, creio eu. Se bem que aqueles momentos intercalados de discursos são bem dispensáveis, mas isso não é culpa dele, não foi ele quem escreveu o filme.
Cotação: 7,0
Curiosidade: O Estevez sempre sonhou em levar às telonas a vida de Robert F. Kennedy. Bobby é fruto de um trabalho de sete anos do ator, diretor e roteirista Emilio Estevez. (oi?)
16 de maio de 2008
Half Nelson

Título Original: Half Nelson
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Ryan Fleck
Dan (Ryan Gosling) é um professor de História e técnico de basquete de uma escola do Brooklyn que ministra suas aulas com muita confiança, instigando seus alunos a pensar, indo além do currículo oficial, tentando estimular seus alunos, ajudando-os de uma maneira positiva. Porém sua vida pessoal é muito diferente, já que o vicio nas drogas só o ajuda a de maneira negativa o tornado uma pessoa insegura. Essa insegurança é aumentada quando uma de suas alunas – Drey (Shareeka Epps), uma adolescente que sofre com a ausência da mãe policial que nunca consegue folga e de um pai ausente e cujo único adulto que ainda olha por ela é Frank (Anthony Mackie), o traficante que mandou o irmão mais velho dela para a cadeia – o flagra fumando crack no banheiro da escola e o ajuda a não desmaiar, agindo com maturidade. Entre eles nasce um tipo de relacionamento que proporciona uma história humana e real. Dan que já lutava para manter em segredo seu vício passa a lutar também pela Drey, na tentativa de evitar que ela se envolva com o mundo das drogas.
O enredo parece ser de mais um dos tantos filmes americanos sobre um professor idealista que tenta libertar seus alunos do sistema opressor, e até seria se o idealista em questão não fosse o nosso adorável anti-herói viciado em crack. Vicio esse que não é explicado por não ser relevante, sendo preferível focar a história no relacionamento sincero entre o doutrinado viciado, que tinha tudo para se alguém na vida, mas está a caminho da auto destruição e a sua nova amiga com uma família ausente e convivendo em um ambiente sem estrutura nenhuma tendo tudo para acabar igual ou pior ao seu professor, mas que possui uma força inexplicável, capaz de se manter fora das drogas e ainda se preocupar com seu amigo problemático.
Sem grandes reviravoltas, porém construído sob um roteiro sensível, o longa não deixa de ser uma ótima oportunidade para os atores brilharem. O que na verdade é um dos grandes méritos do filme. Ryan Gosling impressionou a crítica naquele ano, ganhando respeito, com uma atuação muito consistente e sem cair no exagero, o que seria fácil com o personagem que lhe foi oferecido. Provou o grande ator que é sendo considerado um dos melhores atores da sua geração. Shareeka Epps, também merece todos os elogios por sua atuação. A cara de “durona” e o sorriso de moleca estão lado a lado no rosto da garota de 13 anos que está sempre com um doce na boca. E além de tudo a química entre eles convence.
É um filme simples na exposição mas muito complexo na argumentação. Uma boa pedida se você quer um filme humano, sincero e real, sem vilões super maquiavélicos e sem mocinhos perfeitos. Com atuações surpreendentes e um roteiro sério e enxuto.
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Ryan Fleck
Dan (Ryan Gosling) é um professor de História e técnico de basquete de uma escola do Brooklyn que ministra suas aulas com muita confiança, instigando seus alunos a pensar, indo além do currículo oficial, tentando estimular seus alunos, ajudando-os de uma maneira positiva. Porém sua vida pessoal é muito diferente, já que o vicio nas drogas só o ajuda a de maneira negativa o tornado uma pessoa insegura. Essa insegurança é aumentada quando uma de suas alunas – Drey (Shareeka Epps), uma adolescente que sofre com a ausência da mãe policial que nunca consegue folga e de um pai ausente e cujo único adulto que ainda olha por ela é Frank (Anthony Mackie), o traficante que mandou o irmão mais velho dela para a cadeia – o flagra fumando crack no banheiro da escola e o ajuda a não desmaiar, agindo com maturidade. Entre eles nasce um tipo de relacionamento que proporciona uma história humana e real. Dan que já lutava para manter em segredo seu vício passa a lutar também pela Drey, na tentativa de evitar que ela se envolva com o mundo das drogas.
O enredo parece ser de mais um dos tantos filmes americanos sobre um professor idealista que tenta libertar seus alunos do sistema opressor, e até seria se o idealista em questão não fosse o nosso adorável anti-herói viciado em crack. Vicio esse que não é explicado por não ser relevante, sendo preferível focar a história no relacionamento sincero entre o doutrinado viciado, que tinha tudo para se alguém na vida, mas está a caminho da auto destruição e a sua nova amiga com uma família ausente e convivendo em um ambiente sem estrutura nenhuma tendo tudo para acabar igual ou pior ao seu professor, mas que possui uma força inexplicável, capaz de se manter fora das drogas e ainda se preocupar com seu amigo problemático.
Sem grandes reviravoltas, porém construído sob um roteiro sensível, o longa não deixa de ser uma ótima oportunidade para os atores brilharem. O que na verdade é um dos grandes méritos do filme. Ryan Gosling impressionou a crítica naquele ano, ganhando respeito, com uma atuação muito consistente e sem cair no exagero, o que seria fácil com o personagem que lhe foi oferecido. Provou o grande ator que é sendo considerado um dos melhores atores da sua geração. Shareeka Epps, também merece todos os elogios por sua atuação. A cara de “durona” e o sorriso de moleca estão lado a lado no rosto da garota de 13 anos que está sempre com um doce na boca. E além de tudo a química entre eles convence.
É um filme simples na exposição mas muito complexo na argumentação. Uma boa pedida se você quer um filme humano, sincero e real, sem vilões super maquiavélicos e sem mocinhos perfeitos. Com atuações surpreendentes e um roteiro sério e enxuto.
Cotação: 8,0
9 de maio de 2008
Longe Dela
Título Original: Away From HerPaís de Origem: Canadá
Gênero: Drama / Romance
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Sarah Polley
O casal Grant (Gordon Pinsent) e Fiona (Julie Christie) estão casados há mais de 40 anos e continuam desfrutando os bons momentos juntos, apesar da relação estremecida por traições, até que Fiona começa a sofrer de perda de memória e ser diagnosticada como portadora de Alzheimer. Grant percebe, sofre por assistir a sua esposa “desaparecer” e reluta em aceitar a realidade preferindo acreditar que a doença pode estagnar. Mas percebendo o que está acontecendo, Fiona encoraja Grant a lhe internar em uma clínica especializada. Uma das regras do lugar é a proibição de visitas durante os 30 primeiros dias do paciente. Enquanto permanece “isolada” Fiona conhece o Aubrey (Michael Murphy), um outro paciente com quem acaba desenvolvendo uma forte amizade. Grant fica sem opção senão aceitar sua nova condição de amigo preocupado e observar em silêncio como a relação entre Fiona e Aubrey se torna cada vez mais íntima.
Apesar do amor entre jovens ter se tornado algo cada vez mais volátil, é comum ver casais de velhinhos alimentando seus sentimentos de longos anos, apesar dos prováveis problemas que já enfrentaram durante todo o tempo juntos. “Longe Dela” mostra esse tipo de união mais comum entre os mais idosos. Uma união que foi abalada apenas por problemas alheios às vontades do casal. Quando Fiona decide que o melhor para eles é que ela se interne em uma clínica especializada, ela acredita que sua decisão facilitará a despedida dos dois e que evitará que eles sofram muito. Ela encara o destino com muita perseverança e segurança sabendo que vai perder tudo o que tem inclusive a si mesma.
Porém dizem que quem mais sofre com o Alzheimer são os parentes, que acompanham o gradual ‘desaparecimento’ do paciente. E aqui não é diferente, a partir do momento que o Grant perceber que está perdendo ela, ele tenta fazer Fiona lembrar uma vida que já perdeu, lembrá-la de uma realidade que para ela já não existe mais. Mas apesar desse desaparecimento cada vez mais gritante ele não consegue ficar longe dela, independente dela saber quem ele é, ele estará sempre lá, ainda tentando viver seu grande amor, um pouco tarde, é verdade.
A história realmente é bonita. Do ponto de vista passional. Além de tratar de uma tema forte, a “morte em vida” de uma pessoa, e tudo isso de maneira natural. O longa possui uma fotografia muito bonita e cenas lindas, como as de antes da internação dela, as da neve, por exemplo, que trazem todo um clima poético. A suave atuação da Christie, indicada ao Oscar de Melhor Atriz inclusive, contrasta com a explosão de sentimentos contidos de Gordon Pinsent, que entre de cabeça no personagem e entrega uma atuação magistral. A cronologia do longa é um pouco confusa e faz questão de o ser, já que confunde de um jeito completamente desnecessário. Porém vale muito a pena conferir pela bela dupla principal.
Cotaçao: 9,0
30 de abril de 2008
Um Beijo Roubado
Título Original: My Blueberry NightsPaís de Origem: EUA / China / França
Gênero: Drama / Romance
Ano de Lançamento: 2007
Diretor: Wong Kar Wai
My Blueberry Nights foi o filme que marcou a estréia do Wong Kar Wai (Amor à Flor da Pele, 2046) na indústria americana, sendo o primeiro filme em inglês dirigido por ele, além de representar a estréia nas telonas da premiada cantora Norah Jones e ter sido o filme escolhido para abrir o 60º Festival de Cannes. O filme conta a história de Elizabeth (Norah Jones) que após um fim de relação conturbada conhece Jeremy (Jude Law), o dono da cafeteria que o namorado dela costumava freqüentar. Ao descobrir que o namorado estivera naquela cafeteria com outra, ela resolve deixar lá a chave do apartamento dele para que seja devolvida. Ela retorna então algumas vezes para saber se o ex já pegou a chave de volta e a partir daí começa a criar laços com aquele estranho que se lembra das pessoas pelo que elas comem na cafeteria. Porém decidida a comprar um carro e sair viajando em busca de si, Elizabeth muda de cidade (algumas vezes durante o filme) e vive dos seus trabalhos como garçonete/barwoman, e se depara com pessoas generosas que muito tem a contribuir para o encontro de Elizabeth com ela mesma.
Podemos descrever o filme como uma história em três atos, a perda, a superação da perda e a mudança:
1) A perda é tratada no primeiro ato quando Elizabeth tem que lidar com a situação que o fim do relacionamento lhes apresenta (-“So what's wrong with the Blueberry Pie?” -“There's nothing wrong with the Blueberry Pie, just people make other choices. You can't blame the Blueberry Pie”).
2) A superação da perda é tratada no segundo ato. Lizzy se depara com a historia conturbada sobre a separaçao de um casal, Arnie um policial alcoólatra vivido por David Strathain e Sue Lynne, a mulher que o abandonou, vivida por Rachel Weiz (“How do you say goodbye to someone you can't imagine living without? I didn't say goodbye. I didn't say anything. I just walked away”).
3) A mudança é apresentada através da relação de Beth com a Leslie (Natalie Portman), que através de uma metáfora com o pôquer sugere o tema confiança (essencial numa relação), tentando ensiná-la em quem confiar ou não. (“It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side”).
Diante disso a sensação que fica é a de que o filme trata-se da junção de três curtas, ainda mais quando o roteiro nos apresenta a mesma personagem chamada de três maneiras: Elizabeth, Lizzy e Beth.
O elenco do filme é um dos pontos altos. Norah Jones foi uma boa surpresa, não faz uma atuação ao nivel da Weisz, Portman ou do Strathairn (nem tinha obrigação, ela é cantora e não atriz) mas também não decepciona em momento algum. Está bem correta no seu primeiro trabalho no cinema. David Strathairn está excepcional como um policial alcoólatra e emocionalmente destruído, apresentando desespero na medida ao seu personagem. Rachel Weisz também não deixa a desejar entregando um trabalho muito bom como a mulher do policial. Natalie Portman como uma jogadora de pôquer audaciosa e sem tem medo de arriscar, apresenta mais um ótimo desempenho provando a ótima atriz que é.
A fotografia tem uma iluminação bem trabalhada. Na cidade e construída sobre as sombras e os neons de letreiros. Na estrada fotografa as faixas amarelas, asfalto e os conversíveis, um recurso batido, que já conhecemos bem, mas que não chega a ser um ponto negativo no filme. Além disso possui uma trilha ótima. Trilha essa agradavelmente recorrida à Otis Redding, Ry Cooder, Cat Power (que faz uma pequena participação no longa como uma ex-namorada de Jeremy) e outros. Aliás, o diretor faz questão de nos fazer esquecer a cantora que existe ali entre os atores profissionais, evitando colocar suas canções na trilha (tem apenas uma música, que a cantora compôs especialmente para o filme).
“Um Beijo Roubado” é uma história de perda e de reencontro com o amor, mas muito suave e quase sem paixão. O romantismo é muito sutil. Penso que sentimentos intensos bem trabalhados são simplesmente essenciais para o desenvolvimento de um bom romance. Ainda assim acredito que o longa provavelmente será lembrado pelo beijo entre Norah Jones e Jude Law, que merece seu lugar na história de um dos mais bonitos do cinema. Kar-wai acredita tanto nisso que se arrisca fazê-lo no absoluto silêncio, sem uma única nota musical sequer. Porém, se o Kar Wai erra a mão no romance, acerta quando decide fechar o círculo narrativo através dos exemplos vividos pela pessoas que rodeiam a Lizzy.
“Sometimes we depend on other people as a mirror, to define us and tell us who we are”.
Cotação: 8,0
Podemos descrever o filme como uma história em três atos, a perda, a superação da perda e a mudança:
1) A perda é tratada no primeiro ato quando Elizabeth tem que lidar com a situação que o fim do relacionamento lhes apresenta (-“So what's wrong with the Blueberry Pie?” -“There's nothing wrong with the Blueberry Pie, just people make other choices. You can't blame the Blueberry Pie”).
2) A superação da perda é tratada no segundo ato. Lizzy se depara com a historia conturbada sobre a separaçao de um casal, Arnie um policial alcoólatra vivido por David Strathain e Sue Lynne, a mulher que o abandonou, vivida por Rachel Weiz (“How do you say goodbye to someone you can't imagine living without? I didn't say goodbye. I didn't say anything. I just walked away”).
3) A mudança é apresentada através da relação de Beth com a Leslie (Natalie Portman), que através de uma metáfora com o pôquer sugere o tema confiança (essencial numa relação), tentando ensiná-la em quem confiar ou não. (“It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side”).
Diante disso a sensação que fica é a de que o filme trata-se da junção de três curtas, ainda mais quando o roteiro nos apresenta a mesma personagem chamada de três maneiras: Elizabeth, Lizzy e Beth.
O elenco do filme é um dos pontos altos. Norah Jones foi uma boa surpresa, não faz uma atuação ao nivel da Weisz, Portman ou do Strathairn (nem tinha obrigação, ela é cantora e não atriz) mas também não decepciona em momento algum. Está bem correta no seu primeiro trabalho no cinema. David Strathairn está excepcional como um policial alcoólatra e emocionalmente destruído, apresentando desespero na medida ao seu personagem. Rachel Weisz também não deixa a desejar entregando um trabalho muito bom como a mulher do policial. Natalie Portman como uma jogadora de pôquer audaciosa e sem tem medo de arriscar, apresenta mais um ótimo desempenho provando a ótima atriz que é.
A fotografia tem uma iluminação bem trabalhada. Na cidade e construída sobre as sombras e os neons de letreiros. Na estrada fotografa as faixas amarelas, asfalto e os conversíveis, um recurso batido, que já conhecemos bem, mas que não chega a ser um ponto negativo no filme. Além disso possui uma trilha ótima. Trilha essa agradavelmente recorrida à Otis Redding, Ry Cooder, Cat Power (que faz uma pequena participação no longa como uma ex-namorada de Jeremy) e outros. Aliás, o diretor faz questão de nos fazer esquecer a cantora que existe ali entre os atores profissionais, evitando colocar suas canções na trilha (tem apenas uma música, que a cantora compôs especialmente para o filme).
“Um Beijo Roubado” é uma história de perda e de reencontro com o amor, mas muito suave e quase sem paixão. O romantismo é muito sutil. Penso que sentimentos intensos bem trabalhados são simplesmente essenciais para o desenvolvimento de um bom romance. Ainda assim acredito que o longa provavelmente será lembrado pelo beijo entre Norah Jones e Jude Law, que merece seu lugar na história de um dos mais bonitos do cinema. Kar-wai acredita tanto nisso que se arrisca fazê-lo no absoluto silêncio, sem uma única nota musical sequer. Porém, se o Kar Wai erra a mão no romance, acerta quando decide fechar o círculo narrativo através dos exemplos vividos pela pessoas que rodeiam a Lizzy.
“Sometimes we depend on other people as a mirror, to define us and tell us who we are”.
Cotação: 8,0
Assinar:
Postagens (Atom)


