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5 de maio de 2009

Nada Mais Que a Verdade

Título Original: Nothing But the Truth
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Rod Lurie

Rachel Armstrong (Kate Beckinsale), uma jovem repórter que ocupa uma cadeira importante no Washington, D.C. daily, escreve uma matéria explosiva revelando a identidade de uma agente disfarçada da CIA Erica Van Doren (Vera Farmiga) que uma vez publicada, dá margem a uma enorme investigação governamental em busca de quem vazou a informação. No decorrer do inquérito, a repórter acaba sendo presa por se recusar a revelar a fonte que forneceu a informação. E com o apóio de seus editores e do seu marido Ray (David Schwimmer), Rebecca luta contra o promotor Patton Dubois (Matt Dillon) para manter o seu direito de manter em sigilo o nome de sua fonte.

Este tipo de filme, que se lança em questões legais, fica por vezes dependente do ritmo empregado a história e nessa questão em especial, esse filme ganha não só com o desenvolvimento da historia jurídica em si, mas também com o paralelo com toda a experiência da Rachel atrás das grades mostrando as dificuldades de sua convivência e de adaptação e as consequência de toda essa luta na vida pessoal da repórter chegando a levantar uma questão crucial, até que ponto vale a pena todo aquele drama para manter o nome de uma fonte em segurança? Sem contar que enquanto tudo isso acontece na vida dela, fora da prisão o processo corre e deixa um rastro de violência e controle abusivos por parte do governo dos EUA. E é esse paralelo que consegue imprimir credibilidade a essa primeira parte do filme que não se deixa levar por um positivismo exagerado.

O argumento é bem construído, consegue potencializar as virtudes dos filmes de tribunal, porém a conclusão não atinge a dimensão exigida e acaba danificando o final. Graças a um sentimentalismo exagerado e com pouca profundidade o filme se perde numa conclusão forçada e desfaz toda a base sólida do roteiro que foi brilhantemente sustentado em personagens bem desenvolvidos. Trocando em miúdos, a impressão que ficou foi a que o filme teve o primeiro e o segundo a ato escrito por um dos roteiristas de Damages e o ato final por um dos roteirista da segunda temporada de Heroes. Period!

Mas uma coisa é certa, o filme com certeza será um divisor de águas na carreira da Kate Beckinsale, que apesar de não ter conseguido o reconhecimento nas premiações, provou que está pronta para papéis mais maduros e que exigem um grau de dramaticidade mais intenso, entregando uma forte interpretação e dando visibilidade ao longa, afinal convenhamos que a curiosidade de vê-la em um papel mais sério foi um dos motivos que me fez ver o filme. Além dela todo o elenco entrega atuações inspiradas, Vera Farmiga, Matt Dillon, Alan Alda e até o David Schwimmer. Realmente uma pena não ter tido um final digno da dimensão de todo aquele drama.

Cotação: 7,5





O CASO ORIGINAL


O filme é uma versão de um escândalo ocorrido nos EUA em 2003, conhecido como o caso Plame-Wilson (ou escândalo da fuga da CIA ou Plamegate). Esse escândalo consistiu na identificação de Valerie Plame Wilson como agente disfarçada da CIA. A relação da Sra. Plame com a CIA era informação secreta e a revelação foi feita numa coluna de jornal com o título "Mission to Niger" escrita por Robert Novak, e publicada em 14 de Julho de 2003. (clique no link para ler o artigo original em inglês).

Joseph C. Wilson, marido de Valerie Plame, viajou ao Níger em Fevereiro de 2002 para comprovar a possível ligação entre a indústria local de urânio e Saddam Hussein - para quem não lembra, em dezembro de 2002, os EUA acusou o Iraque de ter tentado comprar urânio do Níger para a fabricação de armas nucleares. Depois da viagem ele escreveu em uma coluna no New York Times, afirmando convincentemente, que o Níger não vendeu urânio ao Iraque.

Depois da publicação do artigo que revelava a identificação de Valerie, Joseph afirmou em várias entrevistas e escritos que membros da administração Bush revelaram a condição dela por vingança ao artigo dele, publicado apenas oito dias antes do artigo de Robert Novak (que identificou Plame). Valerie Plame era especializada em armas de destruição massiva, fato que teria motivado os partidários do presidente achar que ela quem teve a ideia de enviar o marido na viagem ao Níger.

Como o filme é também ficção, eles optaram por seguir uma linha diferente da realidade e prenderam a própria escritora do artigo por não revelar a identidade da fonte que passou para ela as informações sobre Valerie Plame. Porém na realidade ocorreu de forma diferente, o Robert Novak não foi preso e a responsabilidade do artigo caiu sobre a jornalista Judith Miller, que foi quem conseguiu a informação de que a Plame era agente da CIA e passou para Novak.

Em 29 de Setembro de 2005, após 12 semanas na cadeia Miller foi liberada e concordou em revelar para o júri a identidade da fonte. Segundo ela, Lewis Libby, "Chief of Staff" do vice-presidente Dick Cheney, foi quem passou as informações sobre a agente Valerie Plame.

Lembrando que nada disso é spoiler, já que o filme apenas se inspira no caso, não seguindo a risca o que aconteceu na realidade.

Curiosidade:
Alguns meses depois das publicações dos dois artigos (o do Robert e o do marido da Valerie) os EUA desculparam-se com o Níger pela alegação feita, afirmando o ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos, Herman Cohen, que "a página agora está virada. A administração norte-americana aceitou que a informação sobre a venda de urânio do Níger ao Iraque foi baseada em documentos falsos". Coisas dos EUA!

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1 de agosto de 2008

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Título Original: Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
País de Origem: EUA / UK
Gênero: Musical / Thriller
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Tim Burton

O filme conta a historia de Benjamin Barker (Johnny Depp) um barbeiro, que há 15 anos foi afastado de sua mulher Lucy (Laura Michelle Kelly) e da sua filha sendo mandando à prisão injustamente pelo inescrupuloso juiz Turpin (Alan Rickman), que desejava a bela Lucy. A história começa com a volta de Benjamin a uma Londres completamente sombria em busca de vingança. Ele descobre que sua esposa cometera suicídio e que sua a filha foi adotada pelo juiz Turpin. Barker se autonomeia Sweeney Todd e reencontra a sra. Lovett (Helena Bonham Carter), proprietária de uma falida loja de tortas, tornam-se cúmplice do barbeiro, e no andar de cima da loja agem assassinando pessoas inocentes que saem da cadeira de Todd direto para as tortas da sra. Lovett, que passam a ser reconhecida em toda a cidade. Paralelo a isso ainda mostra a história de amor proibido entre o marinheiro Anthony Hope (Jamie Campbell Bower) e Johanna (Jayne Wisener).

O roteiro passeia entre os dois núcleos tentando não deixar espaço para calmaria durante os 116 minutos de filme. Quando Todd e Mrs. Lovett terminam de cantar, a trama corta para uma música dos dois jovens ridiculamente apaixonados, e assim segue (ridiculamente porque a rapidez que isso acontece é difícil de engolir). Teoricamente o filme poderia muito bem seguir em um bom ritmo, mas as músicas são parecidas, o que dá a clara sensação de falta de ação, de seguimento. Só quanto a historia se desenvolve e o barbeiro mostra sua verdadeira personalidade é que o filme poderia melhorar e ficar bem mais interessante, mas o Burton peca aqui pelo exagero nos surpreendendo com um banho de sangue a la Tarantino extremamente exagerado pegando muita gente desprevenida.

Em meio a trama trabalhada pelo roteiro de John Logan (O Aviador) temos músicas, como todo mundo já deve saber, mas são muitas músicas mesmo. Um musical daqueles em que cantam até para dizer que uma barata está passando. Mas o que incomoda mesmo são os arranjos repetitivos das canções e até as músicas algumas repetidas inúmeras vezes (ouvir um jovem cantando "I seeee you, Johaaaaaanna" inúmeras vezes pode fazer o filme uma experiência cansativa ainda mais quando os atores não são realmente bons cantores, pelo menos a mim não agradou).

Johnny Depp não consegue construir um personagem a altura do demoníaco barbeiro da Rua Fleet. Justo o Depp, que eu sempre acho tão caricato nas suas atuações resolve aqui, onde ele deveria ser caricato e exagerado (seria aqui onde caberia um exagero), se policiar deixando muito a desejar. Helena Bonham Carter, também não canta, mas sempre pálida e com os olhos bem arregalados oferece mais veracidade construindo um personagem denso e sombrio, mas ingênuo a partir de certo ponto. Um nome que rouba a cena no filme é o de Sacha Baron Cohen, que em uma marcante participação surpreende com sua naturalidade em um papel pequeno, mas muito divertido.

O mérito do filme é a excelência técnica. A Londres no filme é completamente cinza, suja e desprezível, com uma fotografia monocromática que chega quase ao preto e branco em algumas partes, e que é essencial para o filme. E há ainda, em contrapartida ao preto e cinza, um vermelho bem vivo cada vez que jorra sangue (o que não é pouco). A direção de arte também é excelente, e fundamental para que entremos no clima da história. A montagem e a edição de som no primeiro encontro de Todd com o juiz na barbearia são ótimas, as vozes de Depp e Alan Rickman fundindo-se com os sons do material do barbeiro só aumentam o suspense. Enfim, em meio a tantas tragédias, salva-se alguns detalhes interessantes também.

Cotação: 6,5
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