20 de janeiro de 2013

Django Livre (2012)


Dr. King Schultz (Christoph Waltz), caçador de recompensas alemão, está em busca dos assassinos irmãos Brittle, e somente Django (Jamie Foxx) pode levá-lo a eles. O pouco ortodoxo Schultz compra Django com a promessa de libertá-lo quando tiver capturado os irmãos Brittle, vivos ou mortos. Porém os dois homens decidem continuar juntos em busca dos criminosos mais perigosos do sul dos EUA. Dotado de um notável talento de caçador, além das recompensas, Django tem como objetivo encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida pela família Candie, há muitos anos.

Dirigido por Quentin Tarantino
Com: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Jonah Hill, Don Johnson, Walton Goggins.

Eis que após um longa não menos do que genial (Bastardos Inglórios), Tarantino ressurge 3 anos depois mostrando que ainda domina a arte de dirigir "pequenas" obras-primas. Dessa vez uma homenagem incrível ao cinema cult italiano.  "Django" é um filme de 1966, dirigido por Sergio Corbucci e estrelado por Franco Nero - que inclusive faz uma participação neste filme de Tarantino.

Diferente do italiano, o protagonista aqui é negro. O diretor aproveita a oportunidade para brincar um pouco com os filmes da onda Blaxpoitation dos anos 1970 e com os "Spaghetti Westerns". Abrindo um parênteses: Blaxploitation foi um movimento cinematográfico norte-americano que surgiu no início da década de 70. A palavra é uma fusão de black ("negro") e explotaition ("exploração"). Os filmes eram protagonizados e realizados por atores e diretores negros e tinham como publico alvo, principalmente, os negros norte-americanos. Enquanto que o Spaghetti Western, como o nome sugere, é um Western Italiano, que surgiu na década de 60 com o estilo de filmagem do Sergio Leone.

Mas voltando ao que interessa. "Django Livre" pra mim foi genial dos créditos iniciais aos finais. Genial desde o bom-humor escrachado do roteiro, até às críticas despretensiosas como no caso da cena que faz referência à estupidez da Ku Klux Klan. E tudo isso aliado a uma produção caprichada e ainda à uma trilha sonora espetacular, um show à parte, no melhor estilo marcante digno do cinema de Tarantino (vide a trilha de Kill Bill, para citar apenas 1 exemplo). 

Eu poderia parar de falar por aqui, mas acho injusto deixar de citar a atuação magistral daquele que rouba a cena todas as vezes em que aparece: Christoph Waltz. Assim como em Bastardos Inglórios,  Waltz simplesmente domina seu personagem com uma sede de atuação impressionante. Adorei o trabalho do Leonardo DiCaprio, assim com o bom desempenho do Jamie Foxx. Mas quando o Dr. King Schultz entrava em cena não tinha pra mais ninguém! Talvez até chegar na segunda metade do filme, quando o Samuel L. Jackson entra em cena com o  igualmente surpreendente "Stephen", pra mim uma das injustiças dessa temporada de premiações. Django é, dentre outras coisa, também uma confirmação de Tarantino como um diretor de atores.


Nomeado ao OSCAR de Melhor Filme, Melho Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia e Melhor Edição de Som
Nomeado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Drama, Melhor Diretor e Melhor Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio).Nomeado ao BAFTA de Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Som.Nomeado ao Producers Guild Awards de Melhor Filme.
Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz) e Melhor Roteiro.
Vencedor do AFI Award de Filme do Ano.
Vencedor do Hollywood Film Award de Roteirista do Ano (Quentin Tarantino).
Vencedor do NBR Award de Melhor Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio) e do Prêmio Top Films.
Vencedor do SDFCS Award (San Diego Film Critics Society Awards) de Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz).


17 de janeiro de 2013

Indomável Sonhadora (2012)

Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma menina de apenas 6 anos de idade que vive em uma comunidade miserável isolada às margens de um rio. Ela está correndo o risco de ficar órfã, pois seu pai (Dwight Henry) está muito doente. Ele, por sua vez, se recusa a procurar ajuda médica. Um dia, pai e filha precisam lidar com as consequências trazidas por uma forte tempestade, que inunda toda a comunidade. Vivendo em um barco, eles encontram alguns amigos que os ajudam. Entretanto, o pai vê como única saída explodir a barragem de uma represa próxima, o que faria com que a água baixasse rapidamente e a situação voltasse a ser como era antes.

Dirigido por Benh Zeitlin
Com: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly, Lowell Landes, Pamela Harper, Philip Lawrence, Jonshel Alexander, Gina Montana, Jimmy Lee Moore.

A estreia do Nova Iorquino Benh Zeitlin no cinema pode ser considerada poderosa. Filme marcante, bem premiado, com produção, roteiro e elenco caprichadíssimos. Uma mistura de miséria, fantasia (!!), atores inexperientes (mais da metade deles é da mesma região do estado de Louisiana em que o filme se passa, incluindo a protagonista Quvenzhané Wallis), e um diretor estreante (porém muito talentoso) para realizar essa fábula moderna basicamente narrada através do olhar ingênuo e peculiar de uma garota órfã de mãe criada pelo pai aprendendo a ser forte para sobreviver à dureza da vida. E deu certo.

Apesar dessa dureza nos ensinamentos absorvidos do pai pela Hushpuppy, o filme é carregado de momentos de pura ternura e muita fantasia que deve fazer parte do mundo de qualquer criança. Assim como toda a comunidade da "Banheira" (inspirada na Isle de Jean Charles na Louisiana, onde a comunidade local insiste em permanecer mesmo em condições precárias exatamente como acontece no filme), os dois enfrentam muitos problemas de ordem pública e social. E por mais que a própria educação dedicada à menina seja questionável e que seja considerada dura a realidade daquelas pessoas, os momentos resultantes desses ensinamentos chegam a ser comoventes, apesar de pouco ortodoxos. Worth Watching.



* Nomeado ao OSCAR de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz (Quvenzhané Wallis) e Melhor Roteiro Adaptado.
* Nomeado ao BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado (Lucy Alibar e Benh Zeitlin).
* Nomeado ao BFCA (Critics Choice Award) de Melhor Filme, Melhor Atriz (Quvenzhané Wallis) e Melhor Atriz Jovem (Quvenzhané Wallis).
* Vencedor em CANNES dos prêmios: FIPRESCI Prize - Un certain regard (prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema), Caméra d'Or (Câmera de Ouro), Prix Regards Jeune e Prize of the Ecumenical Jury - Special Mention.
* Vencedor do AFI Award de Filme do Ano.
* Vencedor de dois prêmios no Deauville Film Festival (França): Grand Special Prize de Melhor Filme e do Revelations Prize de Melhor Diretor.
* Vencedor do Durban International Film Festival (África do Sul) de Melhor Diretor.
* Vencedor do Ghent International Film Festival (Bélgica): Youth Jury Award - Proximus Generation ExploreZone Award - Melhor Diretor.
* Vencedor do Hollywood Film Festival: New Hollywood Award - Melhor Atriz (Quvenzhané Wallis).
* Vencedor do LAFCA Award de Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator Coadjuvante e do New Generation Award para Benh Zeitlin.
* Vencedor do NBR Award de Melhor Revelação (Quvenzhané Wallis), Melhor Atriz Revelação (Quvenzhané Wallis), Melhor Atriz (Quvenzhané Wallis) e Melhor Diretor Reveleção.
* Vencedor do Sundance Film Festival de Melhor Fotografia Dramática e do Grand Jury Prize de Melhor Direção Dramática.
*  Vencedor do WAFCA Award de Melhor Atriz Infantil (Quvenzhané Wallis).

14 de janeiro de 2013

Moonrise Kingdom (2012)


Anos 60, em uma pequena ilha localizada na costa de New England, Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward) sentem-se deslocados em meio às pessoas com que convivem. Após se conhecerem em uma peça teatral na qual Suzy atuava, eles passam a trocar cartas regularmente. Um dia, resolvem deixar tudo para trás e fugir juntos. O que não esperavam era que os pais de Suzy (Bill Murray e Frances McDormand), o capitão Sharp (Bruce Willis) e o escoteiro-chefe Ward (Edward Norton) fizessem todo o possível para reencontrá-los.

Dirigido por Wes Anderson. 
Com: Jared Gilman, Kara Hayward, Edward Norton, Bruce Willis, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman, Bob Balaban e Harvey Keitel.

Típico cinema de Wes Anderson. Pra quem gosta do trabalho dele é um prato cheio, eu particularmente! rs Adoro diretores com personalidade na direção. Diretores que apesar de seguirem sempre um mesmo ritmo consegue dar vida a cada um dos seus longas sem no entanto cair na mesmice. Há quem pense o contrário e sinta-se entediado a cada filme dele (respeito). Mas acredito que mesmo estes possam gostar muito - ou pelo menos um pouco - de 'Moonrise Kingdom'. Senti  nesse trabalho mais capricho na produção do que seus últimos trabalhos em live-action, achei o filme um pouco mais cuidadoso. Não só nas locações, que são impressionantes, mas no trabalho como um todo: roteiro, que ajuda muito, atuações, arte etc.




* Nomeado à Palma de Ouro em Cannes.
* Nomeado ao Globo de Ouro de Melhor Filme - Comédia ou Musical. 
* Nomeado ao OSCAR de Melhor Roteiro Original (Wes Anderson, Roman Coppola). 
* Nomeado ao BAFTA de Melhor Roteiro Original (Wes Anderson, Roman Coppola). 
* Nomeado ao BFCA (Critics Choice Award) nas categorias Melhor Elenco, Melhor Roteiro Original (Wes Anderson, Roman Coppola), Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora (Alexandre Desplat) e Melhor Atriz Jovem (Kara Hayward).
* Vencedor do AFI Award de Filme do Ano.
* Vencedor do BSFC Award de Melhor Trilha Sonora.
* Vencedor do Gotham Awards (NY) de Melhor Filme.
* Vencedor do NBR Award Top Ten Independent Films.


23 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe

Dale (Charlie Day), Kurt (Jason Sudeikis) e Nick (Jason Bateman).


Em Quero Matar Meu Chefe (EUA, 2011), Kevin Spacey, Colin Farell e Jennifer Aniston dão vida a três tipos de chefes bem distintos, mas com um ponto em comum: fazer da vida de seus empregados um inferno. E conseguem.

Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day dão vida aos pobre coitados que sofrem nas mãos de seus chefes. Pedir demissão não é uma opção, então, com a ajuda dos conselhos duvidosos de um ex-presidiário trapaceiro, os três amigos criam coragem para se livrarem de seus respectivos chefes. E repito, pedir demissão não é uma opção.

O filme segue a mesma linha de comédia de "Se Beber Não Case". Mas de alguma forma achei "Quero Matar Meu Chefe" menos forçado. Mais engraçado até.

Uma boa surpresa é que ninguém tenta roubar pra si toda a atenção do filme. São personagens igualmente importantes e que contribuem de forma harmônica pra o desenvolvimento do filme.

É um prato cheio pra quem gosta de filmes desse tipo.

E não sei se foi impressão minha, mas o personagem de Charlie Day foi pra mim uma extensão do personagem dele em "It's Always Sunny in Philadelphia", as tiradas cômicas são bem parecidas, e pra mim isso foi um ponto a favor. Adoro o Charlie.

20 de agosto de 2011

Enrolados

Flynn Rider x Rapunzel



Enrolados (EUA, 2010) é a 50º animação produzida pelos Estúdios Walt Disney e até o momento, é o filme de animação mais caro já feito, com um orçamento de US$ 260 milhões. Estrelado por Mandy Moore , Zachary Levi e Donna Murphy, o filme tem sua história adaptada do conto de fadas alemão: "Rapunzel", dos Irmãos Grimm.

Além da história adaptada, o filme também teve seu título adaptado. Inicialmente se chamaria "Rapunzel" mesmo, mas devido ao fracasso na bilheteria do conto de fadas antecessor (A Princesa e o Sapo), os magnatas da Disney decidiram mudar de estratégia e deixar de privilegiar seu público alvo inicial: as meninas. Passaram então a pensar nas crianças como um todo buscando atrair a atenção de meninas e meninos. Tanto que pela primeira vez eu vejo um príncipe com tanto destaque, e carisma, quanto a princesa. É como se o príncipe tivesse sido promovido de um simples "featuring" para um "duet".

A Disney, claro, foi muito criticada por essa mudança e acusada de só pensar nos lucros. Eu, sinceramente adorei a mudança, penso que apenas refazer a história não seria um atrativo suficiente pra despertar a curiosidade, as mudanças foram essenciais. Deixaram o filme com uma cara nova, mais atraente, de fato.


Cause way down deep inside we've got a dream...

5 de agosto de 2011

The Good Life

Jason (Mark Webber) e Frances (Zooey Deschanel)


por Marcel Gois

[Jason]: "They call the hole left by the passage of a bullet through the body a permanent cavity. A permanent cavity is what cops strive for when shooting someone dangerous. They say the best bullet for the job when trying to incapacitate someone dangerous is the one that's bigger, the one with the most velocity, the one that creates the largest permanent cavity, the one that kills faster. What I think would be worse is being hit by a smaller caliber bullet over... and over... and over. A lifetime full of pain. Who needs 10 to 15 seconds more? -- But it's not pain. It's laughing with your friend at a time when you shouldn't. It's the sweat in your palms wanting to know someone you see and the pit in your stomach when they actually see you. It's being touched by hands that aren't your own. It's the thrill of an escape that almost wasn't. It's the embarrassment you feel, naked for the first time. It's helping a friend find something they lost. It's a smile, a joke, a song. It's what someone does that they like doing. It's what someone does that they like remembering. It's the thinking of things you may never do and the doing of things you may never have thought. It's the road ahead and the road behind. It's the first step and the last and every one in between, because they all make up the good life".

Texto extraído do filme "The Good Life (Canadá/EUA, 2007)".
Escrito e dirigido por Stephen Berra.
Estrelado por Mark Webber, Zooey Deschanel e Harry Dean Stanton.
Participações de Bill Paxton, Chris Klein, Patrick Fugit, Drea de Matteo.

Sinopse: Jason (Mark Webber) se revesa entre dois empregos para ajudar sua mãe, trabalhando em um cinema que exibe filmes antigos e em um posto de combustível. Até que um dia conhece a misteriosa Frances (Zooey Deschanel) que faz com a que sua vida mude.

Não é o suprasumo do cinema mundial. É apenas o retrato despretensioso das angústias de um jovem adulto de uma cidade de interior. É simples, sensível. E com personagens misteriosos e bem interpretados.

27 de fevereiro de 2011

83rd Annual Academy Awards | Winners Predictions

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Só para não perder o costume, aí vão minhas apostas para o Oscar 2011 que acontece hoje a noite.

Melhor Filme: O Discurso do Rei
Melhor Diretor: David Fincher | A Rede Social
Melhor Ator: Colin Firth | O Discurso do Rei
Melhor Atriz: Natalie Portman | Cisne Negro
Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale | O Vencedor
Melhor Atriz Coadjuvante: Hailee Steinfeld | Bravura Indômita
Melhor Roteiro Original: O Discurso do Rei
Melhor Roteiro Adaptado: A Rede Social
Melhor Direção de Arte: A Origem
Melhor Fotografia: A Origem
Melhor Figurino: Alice no País das Maravilhas
Melhor Montagem: A Rede Social
Melhor Maquiagem: O Lobisomem
Melhor Trilha Musical: A Origem
Melhor Mixagem de Som: Bravura Indômita
Melhor Edição de Som: A Origem
Melhores Efeitos Visuais: A Origem
Melhor Canção: “I see the Light” | Enrolados
Melhor Filme de Animação: Toy Story 3
Melhor Filme Estrangeiro: Incendies | CANADÁ
Melhor Documentário em Longa-Metragem: Exit Through The Gift Shop
Melhor Documentário em Curta-Metragem: Poster Girl
Melhor Curta: Wish 143
Melhor Curta Animado: Day & Night

19 de dezembro de 2010

Talking About Short Films #25 | Eu Não Quero Voltar Sozinho

Eu Não Quero Voltar Sozinho (Brasil, 2010)
Direção: Daniel Ribeiro
Gênero: Drama

por Marcel Gois

Não é surpresa pra ninguém (que nos acompanha) que curtas também tem espaço garantido aqui no blog, assim como teve na 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos que aconteceu aqui em Aracaju até o última quinta-feirta (16/12). E é justamente sobre um dos curtas exibidos na mostra que venho falar aqui hoje. "Eu Não Quero Voltar Sozinho" conta em 17 min um pouco sobre a dia a dia de Leornardo (Ghilherme Lobo), um adolescente cego que se depara com uma mudança em sua rotina depois da chegada de um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo em que ele tenta lidar com o ciúme da sua melhor amiga Giovana (Tess Amorim), Leo tenta entender os sentimentos despertados pelo seu novo amigo Gabriel (Fábio Audi).

É Daniel Ribeiro (diretor de Café Com Leite, que já passou por aqui) mais uma vez abordando o tema homosexualidade em seu trabalho. Dessa vez sob uma ótica diferente. Se no premiado "Café com Leite" os protagonistas já eram adultos e sabiam muito bem o que queriam pra suas vidas amorosas, aqui, em "Eu Não Quero Voltar Sozinho", a descoberta do desejo pela pessoa do mesmo sexo é a 'bola' da vez. Devo dizer que admiro a capacidade do Daniel em conseguir tratar o tema com tanta sutileza unindo questões socialmente relevantes e, aqui em especial, admiro ainda a coragem em trata o tema sob uma ótica quase infantil e conseguir fazer um trabalho digno de todos os elogios.

Pré adolescentes descobrindo o amor, carinho e respeito por uma pessoa do mesmo sexo. Filmado de uma forma linear e condizente com o trabalho sutil do Daniel, já visto no seu curta anterior, como se um derivasse do outro. Um curta simples e bem produzido, com uma direção segura e um roteiro eficiente, sem se tornar piegas em momento algum, tudo muito discreto e de bom gosto. Mais do que recomendado!

Já fiquei sabendo que existe um projeto pra transformar o curta em longa metragem. É esperar pra ver. Eu sou team Daniel Ribeiro. Tiro o chapéu pra ele e espero mais coisas boas sempre.

13 de dezembro de 2010

O Filho da Noiva

El Hijo de la Novia (Argentina, 2001)
Direção: Juan José Campanella
Gênero: Dramédia / Romance

por Dudu Lessa

Em uma determinada cena do filme 'O Filho da Noiva', o protagonista Rafael Belvedere (intepretado por Ricardo Darín), cansado da rotina exaustiva de gerenciar um restaurante herdado pelo pai, comenta sobre vender o estabelecimento para uma grande rede de restaurantes. “Hoje é muito difícil ser sozinho. As grandes redes conseguem preços de atacado. Mas você lutou por isso, por um mundo mais eficiente.”, diz Rafael. O pai, ao ver o filho argumentar isso enquanto discutia no celular com um estranho e subornava um policial que o havia parado, responde: “Não lutei por um mundo mais eficiente. Lutei por um mundo melhor”.

A dualidade entre eficiência e qualidade de vida é um dos planos de fundo que regem a produção argentina de 2001. Em meio a uma crise econômica, o protagonista vê a sua vida à prova quando sofre um infarto, e percebe que não consegue gerenciar o restaurante da família, o relacionamento com a sua namorada, a proximidade com a filha e a sua relação com a mãe, que vive em um asilo e sofre de Alzheimer.

Mas a tragicomédia de Juan Jose Campanella (El Secreto de tus Ojos, 2009) não se baseia apenas nisso: em uma sutil crítica à Igreja Católica, Campanella aborda, com precisão, os direitos dos idosos e o contraste entre o dogma cristão e a realidade humana quando o pai do protagonista, interpretado por Hector Altério, decide casar-se na Igreja pela primeira vez com a sua mulher, Norma (Norma Aleandro), que vive numa realidade confusa devido à doença.
Sem ser piegas sobre o amor, o diretor e roteirista levanta essas questões com graça e humor: em uma cena, Rafael discute com sua namorada através da câmera do interfone; em outro momento, o amigo de infância do protagonista declara-se apaixonado pela namorada do amigo durante a gravação de um filme, no qual ambos interpretam figurantes. (Ambas a cenas são antológicas!)

A direção de Campanella é segura e inova pouco – salvo as exceções das cenas citadas acima. Entretanto, o time de atores escolhidos reforça o sucesso do filme ao expor a dificuldade em perceber, no caos do dia-a-dia, a importância de amar e dar prioridade aos sentimentos e às relações.

Por fim, a lição d’O Filho da Noiva é clara e se resume em um diálogo do protagonista com o potencial comprador do restaurante. Ao questionar se Rafael tinha um ‘plano B’ para o estabelecimento, devido à crise que se instalou na América Latina em 2001, Rafael responde, objetivo: ‘Esta crise? Quando não vivemos em crise?’. ‘O Filho da Noiva’ trata, com maestria, sobre a arte em lidar com os inúmeros problemas da vida, e a paz em saber ver, no caos, a beleza e o amor.

5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos: Abutres

Carancho (Argentina, 2010)
Direção: Pablo Trapero
Gênero: Drama

por Marcel Gois

Começou na última sexta-feira (10.12), aqui em Aracaju, a 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Pela primeira vez ela chega à capital sergipana, com filme e curtas que abrangem temas sociais relevantes, divididos em programas diversificados e horários acessíveis. A abertura da mostra, que aconteceu no Cinemark Jardins, aconteceu com filme “Abutres”, a mais recente produção de Pablo Trapero (diretor do ótimo Leonera), que traz no elenco um dos atores argentinos mais populares, o Ricardo Darín, no papel de um advogado sem escrúpulos, que se aproveita de vítimas de acidentes para usufruir de indenizações.

Na Argentina, milhares pessoas morrem em acidentes de trânsito a cada ano. E atrás de cada uma das tragédias que acontecem existe uma máfia em busca de prêmios dos seguros através das brechas encontradas na lei passando a perna inclusive na família das vítimas que recebe uma porcentagem mínima do dinheiro adquirido. Sosa (Ricardo Darín) é um advogado que já teve sua licença casada e agora trabalha num escritório de quinta categoria e vive em hospitais públicos e delegacias em busca de potenciais clientes. Luján (Martina Gusman) é uma jovem médica recém chegada do interior e que por azar começa a trabalhar na unidade hospitalar onde Sosa ‘bate ponto’. A história entre os dois começa quando ela tenta salvar a vida de um homem que Sosa considera ser um cliente em potencial.

Trapero dessa vez explora ainda mais sua habilidade em retratar a realidade nua e crua (como foi visto antes em Leonera) dando ao filme um tom de documentário. Ele faz isso com a câmera na mão mostrando toda a confusão e tensão que é presenciar um acidente de perto e imprimindo na tela uma sensação de desconforto que é presente durante quase toda a projeção. O impacto que o filme causa é dirigido com muita segurança e destreza, capaz de deixar os espectadores de olhos grudados na tela, apesar das imagens impregnadas de sangue.

A dupla de atores principais desaponta em grande estilo, durante toda a projeção, mas principalmente na sequência final na qual o diretor demonstra toda sua habilidade e audácia em um plano sequência breathtaking. Juro que acabei o filme com uma dor no peito de tão tenso. Sem falar na sensação de desconforto com tanto acidente na tela.

O filme foi recebido como uma crítica pelas autoridades judiciárias do país, depois de ficar demonstrada na tela toda a habilidade desses ‘profissionais’ em forjar acidentes, criar vítimas e assim consegui extorquir o seguro através de falcatruas e conchavos com as próprias ‘vítimas’. E não por acaso o longa foi o escolhido para representar a Argentina na disputa pelo Oscar 2011 de melhor filme estrangeiro.